Ex-presidente da Libéria é condenado a 50 anos de prisão

Considerado culpado de apoiar crimes de guerra em Serra Leoa, Charles Taylor deve recorrer da sentença

iG São Paulo |

O ex-presidente da Libéria Charles Taylor foi condenado a 50 anos de prisão nesta quarta-feira, após o Tribunal Especial de Haia para Serra Leoa o considerar responsável por “alguns dos mais odiosos e brutais crimes da história da humanidade” ao armar e apoiar rebeldes em Serra Leoa em troca de diamantes brutos.

Taylor, 64 anos, foi o primeiro chefe de Estado condenado por uma Corte internacional desde os julgamentos de Nuremberg, que ocorreram após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ele cumprirá a sentença em uma prisão britânica, mas é possível que permaneça em Haia por meses enquanto seus advogados recorrem da decisão.

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AP
O ex-presidente da Libéria Charles Taylor aguarda sentença em tribunal em Haia

Taylor foi condenado pelo tribunal em abril. O juiz Richard Lussick afirmou que Taylor forneceu armas, munição, equipamentos de comunicação e planejamento à Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa, responsável por atrocidades durante a guerra civil do país, entre 1991 e 2002. O grupo é famoso por ter amputado mãos e pernas de civis durante o conflito.

De acordo com Lussick, o apoio dado por Taylor foi “constante e significativo”. Ele foi considerado culpado de 11 acusações, incluindo assassinado, estupro e recrutamento de crianças como soldados. No entanto, Taylor não foi considerado comandante direto das ações dos rebeldes, pois os juízes consideraram que ele não tinha controle sobre o grupo. Isso ajudou a atenuar a sentença.

A procuradoria tinha pedido 80 anos de prisão para o ex-líder, que no dia 16 de maio fez um apel o para que a corte levasse sua idade em consideração e definisse uma sentença com espírito de “reconciliação, não retribuição”. “Sou pai de muitas crianças, sou avô e bisavô”, afirmou. “Digo com respeito: reconciliação e cura, não retribuição, devem ser os princípios a guiar sua decisão.”

Na mesma ocasião, Taylor alegou inocência e disse que o dinheiro teve “papel dominante” em seu julgamento. “Testemunhas foram pagas, coagidas e, em muitos casos, ameaçadas”, afirmou o ex-presidente, insistindo que todas as suas ações tiveram o objetivo de estabilizar a região. “Expresso minha tristeza e minha compaixão pelos crimes sofridos por indivíduos e suas famílias. O que fiz, fiz com honra. Estava convencido de que a Libéria só poderia seguir em frente se houvesse paz em Serra Leoa.”

Trajetória

Em 1989, aos 41 anos, Taylor era o líder de um grupo armado e deu início à guerra civil na Libéria, encerrada após um tratado de paz em 1995. Em 1997 foi eleito presidente e seu governo durou seis anos. Em agosto de 2003, rebeldes tomaram a capital do país, forçando-o a ir ao exílio na Nigéria. Taylor disse que optou por se exilar para acabar com o conflito em seu país.

Após 2003, Taylor vinha sendo acusado de violar as regras de seu exílio na Nigéria ao continuar influenciando a política interna na Libéria. Meses após a posse da presidente liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf, em 2006, a Nigéria concordou em extraditar Taylor, que fugiu.

Capturado e enviado à Libéria, Charles Taylor foi levado a Serra Leoa pela ONU para aguardar julgamento. Sua prisão foi considerada um sinal de que os líderes de grupos armados africanos não gozavam mais de impunidade.

Com AP

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