TV divulga imagens do jornalista francês refém das Farc

Gravação de seis minutos é divulgada como prova de vida de Romeo Langlois, cujo sequestro de um mês deve terminar na quarta-feira

iG São Paulo |

A rede de TV multiestatal latino-americana Telesur divulgou nesta segunda-feira as primeiras imagens de prova de vida do jornalista francês Romeo Langlois, 35, sequestrado há um mês pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As imagens foram divulgadas enquanto se prepara uma missão humanitária prevista para resgatá-lo em algum ponto da selva na Colômbia na quarta-feira.

Negativa: Colômbia rejeita exigência das Farc para libertar jornalista francês

Reprodução
Jornalista francês Romeo Romeo Langlois, sequestrado há um mês pelas Farc, aparece em vídeo divulgado na Telesur
Oferta: Brasil se dispõe a participar de operação para libertar jornalista francês

Nas imagens transmitidas pela emissora, o correspondente da France 24 é visto de banho tomado, conversando e sorrindo com uma toalha presa à cintura e aparentando bom estado de saúde em um acampamento não identificado da guerrilha. O vídeo de seis minutos de duração, em que o repórter aparece com um curativo no braço, foi enviado à Telesur pelas próprias Farc, informou uma fonte do canal.

A guerrilha colombiana anunciou no domingo que na próxima quarta-feira porá Langlois em liberdade, com as coordenadas do local de soltura sendo entregues à missão humanitária integrada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a ex-senadora Piedad Córdoba e um representante francês designado pelo presidente François Hollande.

Segundo o protocolo estabelecido, as Farc deverão informar até às 13h locais (15h de Brasília) de terça-feira a área na qual liberarão Langlois.

O jornalista foi sequestrado em 28 de abril, quando os guerrilheiros fizeram uma emboscada ao batalhão que o acompanhava na cobertura de uma operação antinarcóticos em uma zona rural de Montañita, município do Departamento (Estado) de Caquetá, sul da Colômbia. No confronto, quatro militares morreram.

"Sou civil, jornalista internacional francês", identifica-se Langlois no vídeo, em que responde a perguntas de uma voz feminina. "Sabia que era zona vermelha. Uma pessoa sabe ao que se expõe quando faz esse trabalho. Fiz muitos trabalhos com a guerrilha, entrevistei o (porta-voz das Farc) Raúl Reyes (morto em 2008) duas vezes, outros chefes importantes das Farc. Fui um dos jornalistas que nunca quiseram muito o governo, porque sempre fui aos dois lados para ter a opinião de todos", afirmou.

Langlois foi ferido no braço em meio ao combate entre os militares que o acompanhavam e um grupo de guerrilheiros em Caquetá. "Na verdade não pensava que isso se tornaria tão terrível. Eles (os militares) iam destruir um laboratório, eu faria umas tomadas", disse o repórter no vídeo, que teria sido gravado por guerrilheiros em uma data não informada e recebido nesta segunda-feira na redação da Telesur.

O embaixador da França em Bogotá, Pierre-Jean Vandoorne, assegurou que, segundo suas informações, o jornalista está em bom estado de saúde. "Parece que Romeo está bem. Seu ferimento foi bem cuidado e não temos preocupações particulares a respeito", disse à rádio Caracol.

"O que mais quer depois de abraçar seus amigos em Bogotá (...) é retornar à França para abraçar seus pais, que o aguardam", acrescentou Vandoorne.

No vídeo também aparece um chefe guerrilheiro, que nega que os militares tenham encontrado um grande laboratório de processamento de drogas das Farc durante a operação na qual Langlois ficou em poder da guerrilha.

"Podem confirmar isso com o prisioneiro quando falarem com ele. Porque ele sabe que o que foi queimado, o que houve ali, o que conseguiram não foi mais do que o que produzia um laboratório de um camponês", disse Colacho Mendoza, segundo comandante da Frente 15 das Farc.

Para facilitar a operação de soltura de Langlois, prevista por via terrestre e fluvial, será realizada uma desmilitarização de 36 horas na região, segundo o acordado no domingo com o governo do presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

Inicialmente, a guerrilha havia declarado que considerava Langlois um " prisioneiro de guerra " por ter estado em meio a um combate e porque utilizava um capacete e um colete à prova de balas fornecidos pelos militares.

As Farc são a principal guerrilha da Colômbia, com mais de 45 anos de luta armada e cerca de 9,2 mil combatentes. Em fevereiro, anunciaram o fim do sequestro de civis com fins de extorsão econômica e, em abril libertaram, os últimos dez policiais e militares que mantinham como reféns.

*Com EFE e AFP

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