Homem invade tribunal e chama ex-premiê britânico de 'criminoso de guerra'

Incidente causa breve interrupção em depoimento de Tony Blair ao inquérito judicial que investiga escândalo de escutas ilegais

iG São Paulo |

Um homem invadiu nesta segunda-feira o tribunal no qual o ex-premiê britânico Tony Blair (1997-2007) prestava depoimento diante do inquérito judicial que investiga a ética da imprensa do Reino Unido, aberto após o escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World . Antes de ser retirado do local por seguranças, o invasor gritou: “Este homem deveria ser preso por crimes de guerra. Este homem é um criminoso de guerra”.

Durante o depoimento, que investiga os laços entre a imprensa e o governo britânico, Blair afirmou que uma interação próxima entre as duas partes é inevitável. O ex-premiê acrescentou que por vezes tal interação "não é saudável” e que, durante seu mandato, tomou a “estratégica decisão” de não confrontar a mídia, preferindo “lidar” com ela e evitar uma briga que o prejudicaria politicamente.

AP
Imagem de vídeo mostra manifestante sendo retirado de tribunal em Londres após chamar o ex-premiê britânico Tony Blair de criminoso de guerra

O incidente causou uma breve interrupção no depoimento de Blair em um tribunal de Londres, acompanhado do lado de fora por dezenas de ativistas que seguravam cartazes criticando o ex-premiê pelo apoio dado à invasão dos Estados Unidos ao Iraque, em 2003.

O juiz Brian Levenson pediu desculpas pela invasão e disse que o incidente será investigado. Blair aproveitou para negar uma acusação feita pelo manifestante de que ele recebeu dinheiro da empresa JPMorgan para apoiar a guerra do Iraque.

Quando Levenson disse que o ex-premiê não precisava responder à acusação, Blair insistiu. “Pela minha experiência, se você tem mil pessoas em um evento e alguém levanta e grita algo, é como se as outras 999 nem tivessem aparecido”, justificou. O invasor não foi identificado.

Veja o vídeo da invasão (em inglês):

No ano passado, em um outro inquérito sobre o escândalo de escutas ilegais do News of the World, um manifestante conseguiu driblar a segurança e jogar uma torta de espuma no magnata Rupert Murdoch, dono da empresa que publicava o tabloide, durante seu depoimento ao lado do filho, James .

Veja o vídeo: Jovem avança sobre Murdoch, que é defendido por sua mulher

O Partido Trabalhista de Blair foi alvo de críticas por relacionamentos próximos demais com jornalistas e empresários do setor, como Murdoch. O ex-premiê é padrinho de um dos filhos do magnata.

“Você está em uma posição na qual lida com gente muito poderosa e que pode impactar o sistema político. Se elas estão contra você, estão totalmente contra você”, afirmou Blair, dizendo que Murdoch seria apenas um dos vários empresários de mídia que poderiam “dificultar sua vida”. “Tomei a decisão de lidar com a mídia, e não confrontá-la.”

Blair foi questionado sobre três telefonemas que teria feito a Murdoch e a outros donos de jornais quando apoiou a invasão ao Iraque. “Quis explicar o que estava fazendo. Não acho que exista nada particularmente estranho nisso’, justificou o premiê.

Questionado sobre a amizade com Murdoch, Blair afirmou que durante seu mandato a relação entre os dois foi apenas profissional e garantiu que não teria aceitado ser padrinho da filha do magnata se ainda estivesse no poder.

O depoimento de Blair marca o início de uma semana importante para o inquérito judicial. Durante a semana, três autoridades do atual governo irão ao tribunal: o ministro da Cultura, Jeremy Hunt, o da Educação, Michael Gove, e a ministra do Interior, Theresa May.

As denúncias de que o News of the World grampeou os telefone de centenas de celebridades e cidadãos comuns levou Rupert Murdoch a fechar o tabloide e deu início a três investigações policiais, um inquérito judicial sobre a ética da imprensa britânica e mais de cem processos.

Com AP

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