Número de mortos em massacre na Síria passa de 100

Conselho de Segurança convocou reunião de emergência para discutir ataque a Houla; Síria nega autoria da matança

iG São Paulo |

Um total de 108 pessoas morreram no massacre em Houla, anunciou neste domingo o chefe dos observadores das Nações Unidas na Síria, general Robert Mood, no Conselho de Segurança da ONU, informaram fontes diplomáticas. Além disso, 300 pessoas ficaram feridas.

Resposta: Governo sírio nega responsabilidade sobre massacre de Houla

Autoridades sírias negaram a autoria da matança , que deixou a comunidade internacional indignada e levou à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança , que acontece neste domingo.

Reuters
Agente da ONU conversa com vítimas ao lado de crianças mortas no massacre de Houla (26/05)

Durante coletiva, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Síria, Jihad Makdesi, culpou supostos grupos terroristas.

"Mulheres, crianças e idosos foram mortos a tiros. Essa não é a marca do heróico Exército sírio", disse Makdesi. O Ministério de Exteriores anunciou ainda a criação de um comitê militar para investigar os fatos, um dia antes de o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, visitar o país.

Leia também: Conselho de Segurança faz reunião sobre massacre na Síria

"Nós negamos categoricamente a responsablidade das nossas forças pelo massacre", disse Makdesi, acrescentando que a Síria tem sido submetida a um "tsunami de mentiras".

As mortes causaram indignação internacional. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que após o "pavoroso massacre", o regime do presidente Bashar al-Assad, baseado em "assassinato e medo", precisa chegar ao fim. Em uma declaração divulgada no sábado (26), ela disse que "aqueles que cometeram essa atrocidade precisam ser identificados e responsabilizados."

A União Europeia, Liga Árabe, França e Alemanha também condenaram o incidente, enquanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o enviado especial à Síria, Kofi Annan, emitiram uma declaração conjunta na qual condenam as mortes em Houla como uma flagrante violação da lei internacional e exigem que a Síria interrompa imediatamente o uso de armas pesadas em áreas populosas.

Violência

O ataque, realizado após manifestações, é considerado um dos mais sangrentos desde o início da revolta contra o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, em março do ano passado. A cidade de Houla, na província de Homs, na região central do país, foi atingida por bombardeios das forças armadas sírias.

Ativistas dizem que algumas das vítimas morreram no ataque, enquanto outras foram sumariamente executadas por milícias ligadas ao governo, conhecidas como "shabiha". As autoridades sírias creditam os ataques a "gangues de terroristas armados".

Plano de paz

Em abril, Damasco prometeu implementar um plano de paz, negociado pelo enviado especial Kofi Annan, que incluía um cessar-fogo e a retirada de armamentos pesados de áreas urbanas. Mas os confrontos na Síria continuaram apesar da presença de cerca de 250 observadores da ONU.

AP
Vídeo amador cuja autenticidade nao foi confirmada mostra corpos na cidade de Houla, na Síria

O grupo de oposição Exército Livre da Síria (ELS) disse que não pode mais se comprometer com a trégua, a não ser que o Conselho de Segurança garanta a proteção de civis. Em uma declaração, o ELS afirmou que se medidas urgentes não forem tomadas, o plano de Annan irá "para o inferno", segundo a agência de notícias AFP.

O grupo diz que as mortes na Síria estão acontecendo "sob o olhar dos observadores da ONU" e pediu que os países "reconheçam o fracasso do plano de Annan". Moradores locais estão furiosos porque os observadores não fizeram nenhuma intervenção para impedir o massacre.

Abu Emad, de Houla, disse ter contactado sete observadores sobre o ataque durante a noite. "Avisamos a eles que um massacre estava sendo cometido naquele momento em Houla por mercenários do regime e eles se recusaram a vir e parar o massacre.

Com AP, EFE e BBC

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