Família morre em um bombardeio da Otan no Afeganistão

Entre os membros estavam seis crianças. Porta-voz da Otan está reunindo informações sobre o ataque aéreo

iG São Paulo |

Ao menos oito pessoas de uma família afegã, incluindo seis crianças, foram mortos em um ataque aéreo realizado por aviões da Força Internacional de Assistência à Segurança da Otan (Isaf) no leste do Afeganistão, disseram autoridades locais neste domingo.

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AP
Hamid Karzai afirmou que uma delegação foi enviada para a província para investigar o incidente


Rohullah Samon, porta-voz do governador da província de Paktia, disse que Mohammad Shafi, sua esposa e seus seis filhos morreram durante o ataque. "Shafi não era um taleban. Ele não estava em qualquer grupo de oposição contra o governo. Ele era um morador", disse Samon.

Um porta-voz da Otan disse que estava ciente dos relatórios do incidente na província de Paktia e que estava colhendo informações sobre o ataque. "Nós reconhecemos que as forças da coalizão estavam realizando uma operação na província de Paktia contra um grande número de insurgentes na noite passada e também cientes dos relatos contados na mídia de supostas mortes de civis naquela área", disse o coronel Jimmie Cumming, porta-voz da coalizão.

As baixas civis têm sido uma importante fonte de atrito entre o governo do presidente Hamid Karzai e as forças lideradas pelos EUA da Otan no Afeganistão. O líder afegão alertou no início do mês que as mortes de civis poderiam prejudicar a parceria estratégica com os EUA de manter relações de longo prazo entre os governos após a retirada da maior parte das tropas internacionais, o que deve ocorrer no final de 2014.

Karzai disse que enviou uma delegação à província para investigar o incidente.

A Otan também informou neste domingo que quatro membros da coalizão foram mortos por ataques diferentes com bombas na sul do Afeganistão, elevando o número de soldados da Otan para 166 esse ano.

O ministro britânico da Defesa disse que um desses soldados foi morto no sábado em uma explosão na região de Nahr-e Saraj, no sul da província de Helmand. As nacionalidades dos outros soldados mortos não foi divulgada.

Os ataques do Taleban têm matado mais civis que forças estrangeiras, mas o ódio da população recai diretamente na comunidade internacional presente no país.

As tensões aumentaram depois que autoridades afegãs informaram que 18 civis morreram recentemente em quatro ataques aéreos em Logar, Kapisa, Badghis e Helmand. Os bombardeios levaram Karzai a fazer o alerta no início do mês.

"Se a vida do povo afegão não está segura, não tem significado nenhum assinar uma parceria estratégica", disse o gabinete de Karzai.

O ano passado foi o mais mortal para os civis desde o início da Guerra do Afeganistão (2001), com cerca de 3 mil mortos. A ONU atribui 77% das mortes aos ataques insurgentes e 14% às ações das tropas internacionais e afegãs. 9% são classificados como incidentes com causas desconhecidas.

***Informações da AP, EFE e Reuters

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