Conselho de Segurança da ONU condena Síria por massacre e pede investigação

Governo sírio nega, mas as Nações Unidas veem indícios de participação das forças de Bashar al-Assad na matança de mais de 100 em Houla

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU condenou "nos termos mais firmes" neste domingo o massacre na cidade de Houla, na Síria, que deixou mais de 100 mortos, incluindo crianças, e 300 feridos . O CS, que convocou uma reunião de emergência após as mortes, pediu ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que investigue esses ataques que violam a lei internacional. Embora haja indícios de participação de forças do presidente Bashar al-Assad, segundo a ONU, o governo de Damasco nega responsabilidade pela matança.

Massacre: Número de mortos em massacre na Síria passa de 100

Resposta: Governo sírio nega responsabilidade sobre massacre de Houla

Reuters
Agente da ONU conversa com vítimas ao lado de crianças mortas no massacre de Houla (26/05)

Em um comunicado do organismo, seus quinze membros, incluindo a Rússia, destacam que os ataques "utilizaram disparos de artilharia e tanques do governo contra um bairro residencial"

"Esse atroz uso da força contra a população civil é uma violação da lei internacional e dos compromissos do governo sírio com a ONU”, afirma o Conselho de Segurança em declaração aprovada por unanimidade após a reunião. Os membros do Conselho de Segurança reiteraram que "todo o tipo de violência de todas as forças e de todas as partes deve acabar e que os responsáveis pelos atos de violência devem prestar contas". A ONU pede, em sua declaração, que o governo sírio pare de usar armas pesadas e tanques nas ruas contra a população.

Antes da reunião, o vice-embaixador russo na ONU Alexander Pankin afirmou ao jornalistas que "havia indícios evidentes para crer que a maioria das vítimas fatais foram mortas por facadas ou tiros à queima-roupa." O Reino Unido e a França haviam proposto a divulgação de um comunicado à imprensa condenando o ataque contra civis e responsabilizando o governo sírio pelo massacre de sexta-feira. Mas a Rússia falou a membros do Conselho que não podia concordar com essa posição antes de ter um relatório de Robert Mood.

A Rússia, então, convocou a reunião de emergência para receber o relatório de Mood e fazer considerações sobre um comunicado do Conselho de Segurança.

Mood disse que 108 pessoas foram mortas no massacre de Houla, incluindo 32 crianças. Além disso, o ataque deixou 300 feridos. Ele acrescentou que os observadores confirmaram, por meio de exame do material bélico encontrado na cena, que projéteis de artilharia e tanques foram disparados.

A Rússia, que considera a Síria sua maior aliada no Oriente Médio, tem usado seu poder de veto no Conselho de Segurança para impedir a aprovação de resoluções contra o governo de Bashar al-Assad. O ataque a Houla foi um dos mais sangrentos eventos desde o início da revolta contra o regime, que teve início em março do ano passado.

Durante coletiva, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Jihad Makdesi, culpou supostos grupos terroristas. "Mulheres, crianças e idosos foram mortos a tiros. Essa não é a marca do heróico Exército sírio", disse Makdesi. O Ministério de Exteriores anunciou ainda a criação de um comitê militar para investigar os fatos, um dia antes de o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, visitar o país.

AP
Vídeo amador cuja autenticidade nao foi confirmada mostra corpos na cidade de Houla, na Síria

"Nós negamos categoricamente a responsablidade das nossas forças pelo massacre", disse Makdesi, acrescentando que a Síria tem sido submetida a um "tsunami de mentiras".

As mortes causaram indignação internacional. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que após o "pavoroso massacre", o regime do presidente Bashar al-Assad, baseado em "assassinato e medo", precisa chegar ao fim. Em uma declaração divulgada no sábado (26), ela disse que "aqueles que cometeram essa atrocidade precisam ser identificados e responsabilizados."

A União Europeia, Liga Árabe, França e Alemanha também condenaram o incidente.

Plano de paz

Em abril, Damasco prometeu implementar um plano de paz, negociado pelo enviado especial Kofi Annan, que incluía um cessar-fogo e a retirada de armamentos pesados de áreas urbanas. Mas os confrontos na Síria continuaram apesar da presença de cerca de 250 observadores da ONU.

O grupo de oposição Exército Livre da Síria (ELS) disse que não pode mais se comprometer com a trégua, a não ser que o Conselho de Segurança garanta a proteção de civis. Em uma declaração, o ELS afirmou que se medidas urgentes não forem tomadas, o plano de Annan irá "para o inferno", segundo a agência de notícias AFP.

O grupo diz que as mortes na Síria estão acontecendo "sob o olhar dos observadores da ONU" e pediu que os países "reconheçam o fracasso do plano de Annan". Moradores locais estão furiosos porque os observadores não fizeram nenhuma intervenção para impedir o massacre.

Abu Emad, de Houla, disse ter contactado sete observadores sobre o ataque durante a noite. "Avisamos a eles que um massacre estava sendo cometido naquele momento em Houla por mercenários do regime e eles se recusaram a vir e parar o massacre.

Com Reuters, AP, EFE e BBC

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