ONU encontra urânio com enriquecimento superior a 20% no Irã

AIEA relata descoberta de traços de urânio a 27% na instalação de Fordo, o que Irã atribuiu à falha técnica; analistas dizem que justificativa é plausível

iG São Paulo |

A agência nuclear da ONU encontrou traços de urânio enriquecido a 27% na instalação iraniana de Fordo , a 150 km ao sul de Teerã, nível que é levemente mais próximo do necessário para armar mísseis nucleares.

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AP
Foto de satélite de 26/9/2009 divulgada pelo GeoEye mostra instalação de Fordo dentro de montanha perto de Qom, Irã
O anúncio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi feito um dia depois de terem acabado em Bagdá, Iraque, dois dias de negociações entre o Irã e seis potências ocidentais (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) sobre o controvertido programa nuclear do país persa.

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O Irã diz que seu objetivo na instalação de Fordo é enriquecer urânio ao máximo de 20%, mas a AIEA disse em um relatório que seus especialistas encontraram partículas enriquecidas a até 27%. Isso é mais próximo do material para armas usado no centro físsil de tais mísseis.

Os resultados das análises de amostras obtidas no local da instalação de Fordo em 15 de fevereiro de 2012 "mostraram a presença de partículas cujos níveis de enriquecimento atingiam 27%", indica a AIEA nesse documento.

Segundo o relatório, o Irã explicou a descoberta como uma falha técnica, "que pode acontecer para além do controle do operador". A agência afirma estar avaliando essa explicação e ter pedido mais detalhes, enquanto analistas e diplomatas dizem que a versão iraniana soa plausível.

O baixo enriquecimento é usado para abastecer reatores. Quanto mais alto o nível de enriquecimento, mais fácil é alcançar o limiar de 90% necessário para fazer armas nucleares. O Irã nega ter interesse em produzir tais armas.

Seis resoluções da ONU condenaram o Irã e seu programa nuclear, das quais quatro causaram sanções, principalmente em razão das atividades de enriquecimento.

*Com AP, BBC e AFP

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