Negociação com Irã acaba sem acordo; diálogo será retomado em junho

Teerã disse que só aceitaria proposta ocidental se sanções fossem suavizadas imediatamente, o que foi rejeitado pelo Ocidente

iG São Paulo |

Duras negociações entre o Irã e as potências mundiais sobre o programa nuclear iraniano terminaram nesta quinta-feira em Bagdá, Iraque, com um plano para uma nova rodada de negociações nos dias 18 e 19 de junho, mas nenhum consenso sobre qualquer outra questão.

Quarta-feira: Potências e Irã retomam negociação nuclear em Bagdá

Reuters
A chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, posa para foto com o negociador-chefe do Irã, Saeed Jalili, antes de reunião em Bagdá, no Iraque (23/5)
Crítica: Ex-chefe de segurança ridiculariza premiê de Israel e questiona ação contra Irã

Os canais abertos entre o Irã e as seis potências - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha - são vistos como a chance mais promissora entre Washington e Teerã em anos. Eles também poderiam afastar ameaças de ação militar que estremeceram mercados de petróleo e desataram preocupações de causar um conflito mais amplo no Oriente Médio.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse que ambos os lados concordaram em continuar as discussões em Moscou com esperança de conseguir avanços para pôr fim à preocupação internacional sobre a habilidade da República Islâmica de construir armas atômicas .

O anúncio pôs fim a dois dias de negociações na capital iraquiana, onde pareceu algumas vezes que Teerã se retiraria das negociações por causa da frustração perante a recusa do Ocidente de protelar a aplicação de sanções previstas para entrar em vigor em julho.

Líderes israelenses criticaram as negociações, alegando que permitem ao Irã ganhar tempo e abrir uma distância entre os governos americano e israelense. Na quarta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que mesmo a possibilidade de o Irã abrir suas instalatações nucleares para maior inspeção da ONU não descartaria um possível ataque militar israelense.

O Irã foi às negociações em Bagdá buscando garantias do Ocidente de diminuir o escopo das sanções , que têm como alvo exportações críticas do Irã e que efetivamente baniram o país das redes bancárias internacionais.

Em vez disso, nesta quinta-feira negociadores de Teerã rejeitaram propostas das potências internacionais de coibir seu programar nuclear sem receber muito em troca, chamando-as de desequilibradas. Saeed Jalili, o principal negociador nuclear do Irã, reivindicou uma mudança no plano ocidental e apresentou suas preocupações durante um encontro privado com Ashton.

No centro da questão estão duas propostas diferentes. De um lado um pacote de incentivos do grupo de seis nações que busca parar a parte mais sensível da produção de combustível nuclear do Irã.

Em troca, o Irã quer que os EUA e a Europa suavizem as duas sanções econômicas sobre suas exportações de petróleo para que, então, possa permitir o maior acesso de inspetores da ONU a suas instalações nucleares e para que possa fazer outras concessões.

O pacote ocidental pede que Teerã paralise a produção do urânio enriquecido a 20%, que é o nível mais alto publicamente anunciado pelo Irã e usado pelo único reator de pesquisa médica do país. Os líderes ocidentais temem que o material — com nível muito superior aos 3,5% de enriquecimento necessários para reatores de produção de energia - possa ser enriquecido ao nível de uma ogiva nuclear em questão de meses.

Para tanto, as potências ofereceram benefícios que incluem isótopos médicos, alguma cooperação de segurança nuclear e peças individuais para aviões civis que são necessárias no Irã.

Mas esnobaram os pedidos do Irã para a suavização imediata de significativas sanções econômicas impostas contra Teerã por desconsiderar as resoluções do Conselho de Segurança que demandam a suspensão de todo enriquecimento de urânio.

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