Irmão de dissidente chinês que foi para os EUA foge de vilarejo

Chen Guangfu vai a Pequim para consultar advogado sobre caso do filho, preso acusado de tentativa de assassinato

iG São Paulo |

O irmão mais velho do dissidente chinês Chen Guangcheng , que fugiu de prisão domiciliar e foi enviado aos Estados Unidos , escapou de um vilarejo fortemente protegido pelas forças de segurança para buscar aconselhamento legal em Pequim.

Chen Guangfu deixou o vilarejo de Dongshigu para se reunir com um advogado e discutir o caso de seu filho, Chen Kegui, preso no mês passado acusado de tentativa de assassinato durante um confronto com policiais que invadiram sua casa em busca do tio foragido. A família afirma que ele agiu em legítima defesa.

Leia também: Dissidente chinês chega aos Estados Unidos

Reuters
Chen Guangfu, irmão do ativista chinês Chen Guangcheng, concede entrevista em Pequim (23/05)

O pai se encontrou em Pequim com o advogado Ding Xikui, que disse ter sido autorizado a defender o réu. Porém, autoridades da penitenciária de Yinan, onde Chen Kegui está preso, disseram que ele será representado por profissionais apontados pelo governo.

De acordo com Ding, o pai do acusado escapou do vilarejo, que teve segurança reforçada após a fuga de Chen Guangcheng, durante a noite. Depois, pegou um ônibus em direção a Pequim. Não está claro se ele continua na capital chinesa.

Chen Guangfu disse que, após a fuga do irmão, vários outros membros da família foram perseguidos. Ele afirmou ter ficado dias detido em uma penitenciária onde foi interrogado e espancado.

Advogado autodidata e cego, Chen Guangcheng desembarcou nos Estados Unidos no sábado, pondo fim a uma crise diplomática que durou quase um mês.

Um dos ativistas mais famosos da China, ele foi colocado sob prisão domiciliar em 2010 após passar mais de quatro anos preso sob a acusação de prejudicar o tráfego e danificar propriedades.

Ele havia acusado as autoridades locais em Linyi, na Província de Shandong, de forçar milhares de mulheres a fazer abortos ou serem esterilizadas como parte da política oficial de filho único.

Amigos de Chen afirmaram que a fuga no fim do mês de abril foi planejada durante meses e teve a ajuda de uma rede de colegas e ativistas. Ele escalou o muro que as autoridades haviam construído em volta de sua casa e foi levado de carro por centenas de quilômetros até Pequim, onde teria passado por vários locais até se abrigar na embaixada americana .

Chen ficou seis dias na representação diplomática, sendo levado ao hospital depois de autoridades americanas e chinesas anunciarem um acordo que o permitiria ficar na China em segurança.

Porém, já no hospital, o ativista disse que sua família tinha sido ameaçada e que temia por sua segurança. Em entrevista por telefone à Associated Press, o ativista afirmou que uma autoridade americana havia lhe dito que o governo chinês ameaçara “bater em sua mulher até a morte”. Com isso, negociações levaram a um novo acordo para enviar Chen aos EUA.

Com AP e BBC

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