Quadro com destaque para genitais de líder sul-africano é vandalizado

Homens usam tinta preta e vermelha para protestar contra imagem polêmica de Zuma exibida em galeria de arte

iG São Paulo |

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Homem vandaliza quadro polêmico do presidente sul-africano, Jacob Zuma, em galeria de Johanesburgo
Um polêmico quadro que retrata o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, com um tapa-sexo que destaca seus genitais foi alvo de vandalismo. Dois homens atiraram tinta preta e vermelha na pintura do artista sul-africano Brett Murray, exibida na galeria de arte Goodman, em Johanesburgo.

O vandalismo aconteceu no momento em que um tribunal julgava a ação judicial do partido de Zuma, o Congresso Nacional Africano (CNA), para forçar a galeria a retirar o quadro da exposição. Aparentemente, os dois homens resolveram resolver o caso com as próprias mãos.

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Imagens de uma televisão local mostraram um homem de terno pintando uma cruz vermelha nas genitais e no rosto de Zuma.

Depois, outro homem passou tinta preta na pintura com as próprias mãos. Um dos suspeitos disse à rede britânica BBC disse que a pintura era “desrespeitosa”.

Após o vandalismo, a galeria foi fechada. No muro em frente, um homem pichou as primeiras três letras da palavra “respeito”, mas foi detido pela polícia antes de completá-la.

O quadro, intitulado "The Spear" ("A Lança"), faz parte da exposição "Salvas ao Ladrão II" e está exibido na Galeria Goodman de Johanesburgo desde 10 de maio. A obra foi avaliada em US$ 15 mil. A exposição utiliza referências da arte comunista para mostrar a corrupção política e ideológica do CNA, um movimento de libertação inspirado no socialismo que teve um papel fundamental na luta contra o regime racista do apartheid, imposto pela minoria branca sul-africana.

A obra mostra o presidente Zuma em uma simulação de um popular quadro do líder comunista soviético Vladimir Lenin, mas com a diferença de que, no retrato do chefe de Estado sul-africano, seu órgão sexual está praticamente visível.

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O quadro de Zuma, após ser vandalizado por dois homens

A presidência da África do Sul se mostrou revoltada com a pintura "grotesca" de Murray e desaprovou o artista. "O presidente da África do Sul defenderá sempre os direitos de nossa Constituição, incluindo a liberdade artística e de expressão, mas, no exercício desses direitos, os cidadãos devem entender que eles não são absolutos", ressaltou o gabinete de Zuma em comunicado.

"Além de chefe de Estado, o presidente Zuma é um cidadão e tem direito a conservar sua dignidade. Nenhum ser humano merece ser denegrido dessa maneira", disse a presidência.

A Galeria Goodman, onde está exibida a obra de Murray, também afirmou que não retirará o quadro e qualificou as intenções do CNA de "censura".

Com AP e EFE

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