Presidente russo coloca em postos-chave do Kremlin vários de seus antigos ministros e concede liderança de petroleira a aliado

O presidente russo, Vladimir Putin , desafiou nesta terça-feira os apelos por renovação da elite política do país, colocando em postos-chave do Kremlin vários de seus antigos ministros e concedendo a liderança da empresa petroleira Rosneft a uma pessoa próxima.

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Presidente da Rússia, Vladimir Putin (E), discursa na Academia de Ciências Russa em Moscou
AP
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Na segunda-feira foi anunciada a composição do novo governo russo, dirigido pelo primeiro-ministro, Dmitri Medvedev , no qual apareceram caras novas. Nesta terça-feira, Putin, que já foi presidente entre 2000 e 2008, nomeou por decreto vários de seus ex-ministros para importantes cargos do Kremlin.

O ex-ministro do Interior Rashid Nurgaliev, cujo mandato foi marcado nos últimos meses por um escândalo de torturas policiais, é agora o secretário-adjunto do Conselho de Segurança.

Os ex-titulares de Transportes Igor Levitin, de Desenvolvimento Econômico Elvira Nabiullina, de Educação Andrei Fursenko, de Saúde Tatiana Golikova, de Comunicação Igor Shtchegolev e de Recursos Naturais Igor Trutnev foram colocados como conselheiros no Kremlin.

O ex-vice-primeiro-ministro Igor Sechun, outra pessoa ligada a Putin que tinha relações ruins com Medvedev, foi nomeado à frente da petroleira Rosneft, a principal empresa russa do setor.

"Não se trata da formação de uma equipe política, e sim de uma divisão de postos dentro do mesmo clã", criticou Yuli Nisnevich, professor na Escola Superior de Economia.

Medvedev respondeu às críticas ressaltando a urgência das reformas. "Qualquer estrutura, mesmo perfeita, que tenha sofrido mudanças radicais, levaria um ano para trabalhar com eficácia", declarou o primeiro-ministro citado pela agência russa Ria Novosti.

Os observadores consideram que a composição do Executivo significa, acima de tudo, que as decisões serão tomadas no Kremlin. "No passado, Putin assumia a responsabilidade por todas as questões de peso. Penso que agora assumirá uma responsabilidade maior", assegurou Alexei Kudrin, um ex-ministro das Finanças que abandonou o governo de Medvedev em setembro.

Embora durante os últimos quatro anos tenha sido primeiro-ministro, após sua passagem pela presidência, Putin permaneceu como o homem forte da Rússia.

Eleito em março para um terceiro mandato, aumentado para seis anos por uma reforma constitucional, nomeou Medvedev como primeiro-ministro depois que ele deixou a presidência. A troca de cargos irritou muitos russos, e é um dos motivos da onda de protestos contra o regime que atinge o país desde dezembro.

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