Premiê da Itália visita área de terremoto e decreta emergência

Monti é brevemente vaiado durante percurso de pouco mais de duas horas em área afetada por tremor que deixou sete mortos

EFE |

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Premiê italiano, Mario Monti (E), inspeciona cidade de Sant'Agostino dois dias depois de terremoto que atingiu região
O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, visitou nesta terça-feira os locais mais afetados pelo terremoto de 6 graus na escala Richter que castigou no domingo a região de Emilia-Romanha, no norte da Itália, que foi decretada em estado de emergência pelo Executivo tecnocrata.

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Em comunicado, a presidência informou que estão em emergência as províncias de Bolonha, Modena, Ferrara e Mantua durante 60 dias e que as necessidades de financiamento serão cobertas pelo Fundo Nacional de Defesa Civil. De acordo com o comunicado, o fundo recebeu 50 milhões de euros antes da declaração do estado de emergência.

Após antecipar sua volta da Cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de Chicago e assistir na segunda-feira ao enterro da vítima do atentado à bomba de sábado no sul da Itália, Monti realizou um percurso de pouco mais de duas horas pelos locais afetados pelo terremoto nas localidades de Sant'Agostino e Finale Emilia.

Na primeira, o primeiro-ministro, que esteve acompanhado pelo governador de Emilia-Romanha, Basco Errani, e do chefe de Defesa Civil Franco Gabrielli, foi recebido com algumas vaias por parte de um grupo de moradores.

"Notei - e me agradou muito - o ótimo sistema de colaboração entre as distintas estruturas e um grandíssimo desejo de retomar o mais rápido possível a vida normal por parte da população afetada. É outro exemplo de forte vitalidade que Emilia-Romanha oferece à Itália", disse Monti nas ruas de Sant'Agostino.

O líder italiano se reuniu com os parentes de algumas dos sete mortos do terremoto, que deixou também 58 feridos e pouco mais de 5,2 mil desabrigados, muitos hospedados nos acampamentos montados pela Defesa Civil em diversas áreas da região, com capacidade para 7 mil pessoas.

Aos familiares das vítimas, o primeiro-ministro prometeu ajuda e expressou sua solidariedade por uma tragédia que, disse, deixa também "graves" danos materiais e a necessidade de encontrar as "coberturas" econômicas necessárias.

"Quis ver pessoalmente os danos, que são graves e afetam também, em particular, o tecido produtivo desta terra tão empreendedora. Temos de ajudá-la a voltar a ser produtiva o mais rapidamente possível", afirmou Monti.

Uma das questões que mais preocupam o governo italiano são as "centenas de milhões de euro" que, segundo a patronal de Emilia-Romanha, a catástrofe possa representar em prejuízo para as empresas da região. Estima-se que cinco mil postos de trabalho podem desaparecer.

Os moradores expressaram nesta terça-feira a Monti também sua preocupação com o fato de que têm de efetuar nos próximos dias o pagamento do imposto sobre casas que não sabem se poderão recuperar.

Nesse sentido, o chefe de governo explicou que abordou com o governador de Emilia-Romanha a possibilidade de "suspender os pagamentos fiscais" dos afetados pelo terremoto. Também foi cogitada uma possível "intervenção" dos bancos para ajudar os empresários locais.

O subsecretário da presidência do governo italiano, Antonio Catricalà, explicou que seu gabinete levantou a possibilidade de adiar o pagamento do imposto sobre bens imóveis, cuja primeira parcela chega agora em junho.

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Italianos são vistos abrigados dentro de quadra de tênis coberta na vila de Finale Emilia, na área atinfida por terremoto
Após visitar o norte da Itália, Monti retornou a Roma para presidir o Conselho de Ministros, no qual decretou estado de emergência para desdobrar um melhor dispositivo de atendimento aos desabrigados e para iniciar a reconstrução da região.

Enquanto a Defesa Civil comprova a situação das casas e o estado de colégios e hospitais, a terra não deixou de tremer na área, e cerca de 20 tremores foram registrados desde a meia-noite, o maior deles de 3,8 graus na escala Richter.

Em comunicado de imprensa divulgado nesta terça-feira, o Ministério de Cultura da Itália informa que seu titular, Lorenzo Ornaghi, reuniu-se em Cannes com seu colega francês Aurélie Filippetti, que lhe expressou a intenção da França de contribuir para a recuperação do patrimônio histórico de Emilia-Romanha danificado pelo terremoto.

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