Obama promete 'não abandonar' afegãos após retirada de tropas

Cúpula da Otan reforça cronograma e compromisso com o país, mas não consegue acordo sobre rotas com o Paquistão

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), expressaram nesta segunda-feira, durante reunião em Chicago , sua confiança de que o Afeganistão tem condições de assumir as operações de segurança em 2013. Obama afirmou, porém, que a Otan "nunca abandonará" os afegãos, mesmo depois da retirada. "No momento em que os afegãos são chamados a assumir sua própria responsabilidade, não serão abandonados", garantiu

As discussões da cúpula foram em parte ofuscadas pelo fracasso das negociações entre Estados Unidos e Paquistão, que não entraram em acordo sobre a reabertura de rotas para o envio de suprimentos às tropas da Otan no Afeganistão. O Paquistão fechou as rotas em novembro, após um ataque americano que matou soldados paquistaneses. Embora ambos os lados tenham indicado que o impasse será resolvido, nenhum acordo deve ser alcançado durante a reunião.

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AP
O premiê britânico, David Cameron, acompanha pronunciamento do presidente dos EUA, Barack Obama, durante cúpula da Otan em Chicago

Em discurso nesta segunda-feira, Obama agradeceu nações na Ásia Central e na Rússia por providenciarem “trânsito crítico” para os suprimentos, sem fazer qualquer menção ao Paquistão. Ele também não teve um encontro bilateral com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, reunindo-se apenas com o líder afegão, Hamid Karzai.

Durante a reunião, Obama disse que a transição será “o próximo marco” na estratégia da Otan para pôr fim à guerra até o fim de 2014 . “Será mais um passo em direção ao momento em que os afegãos terão o total controle de sua segurança e a missão da Otan acabará”, afirmou o líder ao abrir as discussões da cúpula nesta segunda-feira.

Nesta segunda-feira, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que os afegãos já estão liderando as operações de segurança em metade do território e que o cronograma de transição está de acordo com o programado. “Esse é um importante sinal de progresso em direção ao nosso objetivo comum: um Afeganistão governado e protegido por afegãos e para afegãos.”

Na declaração final da cúpula, os líderes da Otan dizem ter dado “novos e importantes passos em direção a um Afeganistão estável e seguro”.

O documento confirma o calendário de retirada dizendo que, após 2013, o papel da aliança “evoluirá cada vez mais de uma missão centrada no combate para uma missão de formação, instrução e assistência”. O documento afirma que, após a retirada em 2014, a aliança continuará dando “sólido apoio político e prático de longo prazo” ao governo afegão.

Durante toda a cúpula, Obama e Rasmussen tentaram demonstrar o forte compromisso da Otan com o Afeganistão apesar dos planos do novo presidente da França , François Hollande, de acelerar a retirada das tropas francesas no país.

Durante visita a Washington na sexta-feira, Hollande reiterou a Obama que todas as tropas de combate francesas vão deixar o Afeganistão até o fim de 2012 – dois anos antes do prazo marcado pela organização.

No domingo, Rasmussen disse não ter "ficado surpreso" com as palavras de Hollande e afirmou que a França pretende continuar apoiando a missão internacional no Afeganistão, mas de forma diferente.

Segundo ele, o plano de Hollande "coincide muito" com o da Otan de devolver gradualmente o controle do país às forças afegãs. "Tudo irá acontecer de forma coordenada e a partir de consultas feitas por nossa aliança", disse Rasmussen. “Não haverá pressa para a saída. Nosso objetivo e nossa estratégia não mudaram.”

Com AP e AFP

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