Em comunicado, grupo afirma que atentado com 96 soldados mortos tinha como alvo ministro da Defesa do país

A rede terrorista Al-Qaeda na Península Arábica reivindicou a autoria do ataque lançado nesta segunda-feira durante os ensaios de um desfile militar na cidade de Sanaa, no Iêmen, que deixou 96 mortos.

Violência: Ataque suicida contra soldados deixa mais de 90 mortos no Iêmen

Policial militar iemenita mostra as mãos cheias de sangue enquanto trabalha em local de ataque suicida em Sanaa
AFP
Policial militar iemenita mostra as mãos cheias de sangue enquanto trabalha em local de ataque suicida em Sanaa
Em comunicado enviado por email, o grupo afirmou que seu alvo era o ministro da Defesa iemenita, Mohammed Nasser Ahmed, que chegou à praça da cidade para cumprimentar as tropas um pouco antes de a explosão atingir a área. Ahmed, porém, saiu ileso do ataque.

"A operação foi realizada por um de nossos 'mujahedin' (guerreiros santos) e teve como alvo o ministro da Defesa e os comandantes americanos da guerra contra nossa população na Província de Abian (sul do Iêmen)", informou o comunicado.

O Pentágono confirmou que três empreiteiros civis ajudando a treinar a guarda costeira do Iêmen foram atacado no domingo no Iêmen. Bill Speaks, um porta-voz do Departamento de Defesa, disse nesta segunda-feira que os ferimentos foram pequenos. Os três viajavam em um carro em Hodeida, cidade portuária do Mar Vermelho no domingo, quando foram atingidos por disparos de militantes em um outro veículo.

Em sua declaração, o grupo terrorista também ameaçou lançar novos atentados enquanto o Exército mantiver sua ofensiva contra Abian, reduto dos fundamentalistas, onde morreram centenas de membros da Al-Qaeda e de militares nas últimas semanas.

"O fogo da guerra chegará onde vocês estiverem. O que aconteceu hoje é o início da 'jihad' (guerra santa) e da defesa de nossa dignidade. Embora o ministro da Defesa e seus ajudantes tenham saído ilesos dessa operação, informamos que não vamos retroceder", disse o grupo terrorista.

A nota também afirmou que o atentado "é uma vingança contra os que mataram manifestantes pacíficos, nossos filhos muçulmanos, em sua revolução contra os líderes injustos". A declaração faz referência às revoltas populares que terminaram com a renúncia do presidente iemenita , Ali Abdullah Saleh.

Transição: Regime de 33 anos de Saleh chega ao fim com transferência de poder no Iêmen

O sucessor de Saleh e atual presidente de transição, Abdo Rabbo Mansour Hadi , anunciou nesta segunda-feira após o atentado a destituição de três altos cargos dos serviços de segurança, entre eles o comandante da Segurança Nacional do país, Amar Mohammed Abdula Saleh, e o comandante da Polícia de Emergências, Mohammed al-Qausi, ambos parentes do ex-presidente Saleh.

Por outro lado, o grupo "Ansar al Sharia" (Seguidores da Lei Islâmica), vinculado à Al-Qaeda, disse em outro comunicado que 40 soldados iemenitas e oito membros do grupo morreram em confrontos perto de Zinyibar, capital da Província de Abian.

Segundo a nota, os jihadistas recuperaram as posições que estavam nas mãos do Exército iemenita a leste de Zinyibar em uma operação realizada ao amanhecer com a utilização de um tanque e diferentes tipos de armas militares.

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