Afeganistão assumirá missões de combate em 2013, anuncia Otan

Por cronograma definido em cúpula em Chicago, guerra será finalizada totalmente no fim de 2014

iG São Paulo |

O presidente dos EUA, Barack Obama, e os líderes dos aliados dos EUA na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) concordaram nesta segunda-feira em pôr fim a seu papel de liderança na guerra de uma década no Afeganistão no próximo verão (a partir de julho no Hemisfério Norte), dizendo que é o momento de a população afegã assumir a responsabilidade por sua própria segurança e de os soldados internacionais liderados pelos EUA de voltar para casa.

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AP
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Pelo cronograma acordado entre os líderes, a guerra será finalizada totalmente no fim de 2014 , uma estratégia que significa que seus soldados ainda estão em combate e morrendo por mais outros dois anos.

Reunido na cidade natal de Obama, Chicago, a coalizão de 50 membros e aliados da Otan declararam uma "transição irreversível" que colocará as forças afegãs na liderança da missão de combate em meados de 2013. Mas mesmo em um pano de fundo, as forças americanas e todas as demais ainda enfrentarão combates e ataques até o fim do conflito.

Em resumo, os parceiros, liderados por Obama, estão mantendo o curso, atendo-se a um cronograma há muito estabelecido e indicando que não reconsiderarão a decisão de sair.

Desde 2010, eles têm planejado terminar a guerra no fim de 2014, mesmo quando decisões tomadas por nações como a França de retirar os soldados antes pôs em teste a força da coalizão. Durante visita a Washington na sexta-feira, Hollande reiterou a Obama que todas as tropas de combate francesas vão deixar o Afeganistão até o fim de 2012 – dois anos antes do prazo marcado pela organização.

A mudança para que as forças afegãs assumissem a missão de combate no próximo ano também já era esperada. Os líderes apresentaram essa medida como um avanço significativo na guerra.

Retirada: EUA planejam encerrar missão de combate no Afeganistão em 2013

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Esse será "o momento em que, por todo o Afeganistão, as pessoas verão seus próprios soldados e polícia assumindo o desafio", disse o chefe da Otan, o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen.

O que o mundo está pronto para deixar para trás é um Afeganistão mergulhado em pobreza, corrupção e instabilidade política. Apesar disso, sem dinheiro e paciência, a parceria liderada pelos EUA está confiante de que o Afeganistão estará estável e suficientemente preparado para ao menos se autoproteger - e, em troca, evitar que seu território se torne uma plataforma de lançamento do terrorismo internacional. É o momento, disse Obama, de "responsavelmente pôr um fim a essa guerra".

Os riscos políticos estão altos para o presidente americano, que estará perante os eleitores em novembro com dezenas de milhares de mais soldados no Afeganistão a mais do que quando assumiu o cargo. Sua ênfase continuará na afirmação de que metodicamente está diminuindo o tamanho da guerra, depois de encerrar a do Iraque . Desesperados por períodos econômicos melhores, os eleitores dos EUA há algum tempo pararam de aprovar o esforço de guerra.

Preocupados em criar um vácuo em uma região volátil, as nações prometeram uma parceria duradoura com o Afeganistão, significando dinheiro, pessoas e capital político. Os EUA já alcançaram seu próprio acordo com o Afeganistão em apoio a esse objetivo, incluindo uma provisão que permite que treinadores militares americanos e forças especiais continuem no Afeganistão mesmo após o fim do conflito.

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As discussões da cúpula foram em parte ofuscadas pelo fracasso das negociações entre EUA e Paquistão, que não entraram em acordo sobre a reabertura de rotas para o envio de suprimentos às tropas da Otan no Afeganistão. O Paquistão fechou as rotas em novembro, após um ataque americano que matou soldados paquistaneses. Embora ambos os lados tenham indicado que o impasse será resolvido, nenhum acordo foi alcançado durante a reunião.

Em discurso nesta segunda-feira, Obama agradeceu nações na Ásia Central e na Rússia por providenciarem “trânsito crítico” para os suprimentos, sem fazer qualquer menção ao Paquistão. Ele também não teve um encontro bilateral com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, reunindo-se apenas com o líder afegão, Hamid Karzai.

*Com AP

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