Obama alerta para 'dias difíceis' no Afeganistão

Líderes dão início à cúpula da Otan que discutirá retirada, enquanto milhares de manifestantes saem às ruas de Chicago

iG São Paulo |

Em meio a uma série de protestos, líderes de mais de 50 países deram início neste domingo a uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Chicago, nos Estados Unidos, na qual discutirão principalmente a retirada de tropas aliadas do Afeganistão .

Pouco antes de o encontro começar, o presidente americano, Barack Obama, disse que o fim do conflito se aproxima, mas alertou para os obstáculos do futuro. “Temos muito trabalho a fazer e muitos desafios para enfrentar”, disse. “Muitas vidas continuam sendo perdidas e teremos dias difíceis pela frente.”

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AP
O chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, o presidente francês, François Hollande, e o líder dos EUA, Barack Obama, posam para foto na abertura da cúpula de Otan em Chicago

Obama fez as declarações após um encontro com o presidente afegão, Hamid Karzai, paralelo à cúpula da Otan, na qual líderes mundiais discutirão os próximos passos no Afeganistão: preparar as eleições e arrecadar dinheiro para financiar as forças afegãs no momento em que grande parte das nações que integram a organização enfrentam orçamentos apertados.

A cúpula também tenta demonstrar o compromisso da Otan com o Afeganistão apesar dos planos do novo presidente da França , François Hollande, de acelerar a retirada das tropas francesas no país.

“Esta cúpula reflete o apoio do mundo à estratégia que traçamos”, disse Obama, sem citar o líder francês. “Agora, nosso trabalho consiste em implementá-la de forma efetiva e acredito que podemos fazê-lo, em parte devido à tremenda força e persistência do povo afegão".

A Otan prevê entregar às forças afegãs o comando das operações de segurança em 2013, antes da retirada completa, em 2014. Durante visita a Washington na sexta-feira, Hollande reiterou a Obama que todas as tropas de combate francesas vão deixar o Afeganistão até o fim de 2012 – dois anos antes do prazo marcado pela organização.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse não ter "ficado surpreso" com as palavras de Hollande e afirmou que a França pretende continuar apoiando a missão internacional no Afeganistão, mas de forma diferente.

Segundo ele, o plano de Hollande "coincide muito" com o da Otan de devolver gradualmente o controle do país às forças afegãs. "Tudo irá acontecer de forma coordenada e a partir de consultas feitas por nossa aliança", disse Rasmussen. “ Não haverá pressa para a saída . Nosso objetivo e nossa estratégia não mudaram.”

Rasmussen também declarou que a Otan "não tem a intenção de intervir na Síria" para deter a violência. "Estamos muito preocupados com a situação na Síria", mas a opção militar não é contemplada, explicou.

AFP
Manifestantes protestam contra cúpula da Otan em Chicago, nos EUA

Na cúpula também estará presente o presidente paquistanês Asik Ali Zardari, que deve se reunir com Rasmussen para negociar o acordo que permite recomeçar a provisão por via terrestre das tropas da Otan no Afeganistão. O Paquistão vetou a circulação de comboios depois da morte de 26 soldados em novembro durante um ataque aéreo da Aliança Atlântica na fronteira.

Os líderes também tratarão de outros temas como a primeira fase de um escudo antimísseis na Europa, para protegê-la de mísseis que possam vir do Irã. Esse projeto é muito criticado pela Rússia, cujo presidente, Vladimir Putin, não estará em Chicago, tendo enviado seu primeiro-ministro Dimitri Medvedev.

No momento em que a cúpula começou, milhares de manifestantes saíram às ruas de Chicago, convocados por organizações pacifistas e ativistas do movimento "Ocupe Wall Street". Os cartazes mostram protestos contra a guerra no Afeganistão, a mudança climática, as violações aos direitos humanos, entre outras questões. Muitos também pedem o fim da Otan, uma aliança militar de 63 anos.

Chicago está sob forte vigilância, com barcos da Guarda Costeira patrulhando o rio que atravessa a cidade e com grande número de agentes nas ruas.

No sábado, três homens foram acusados de produzir coquetéis molotov para uma série de atentados durante a reunião. Entre os alvos dos jovens, presos na quarta-feira, estavam a sede da campanha de reeleição de Obama e a casa do prefeito da cidade, Rahm Emanuel, ex-chefe de gabinete do líder.

Neste domingo, mais dois homens foram acusados de fabricar explosivos para ataques durante a cúpula: Mark Neiween, 28 anos, e Sebastian Senakiewicz, 24 anos.

Com AP e AFP

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