Líderes mundiais estão em Chicago para cúpula que discutirá conflito, em meio a plano de francês de acelerar saída de tropas

Líderes de mais de 50 países dão início neste domingo a uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Chicago, nos Estados Unidos, na qual discutirão principalmente a retirada de tropas aliadas do Afeganistão, marcada para 2014 .

Em meio à crescente impopularidade do conflito e à intenção do novo presidente francês , François Hollande, de acelerar a retirada , o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmuissen, disse que a aliança continua comprometida com o país. “Não haverá pressa para a saída. Nosso objetivo e nossa estratégia não mudaram”, afirmou, em entrevista antes da reunião. “Entramos juntos, sairemos juntos.”

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O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, concede entrevista antes de reunião da organização em Chicago, nos EUA
AP
O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, concede entrevista antes de reunião da organização em Chicago, nos EUA

Durante visita a Washington, Hollande reiterou ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que todas as tropas de combate francesas vão deixar o Afeganistão até o fim de 2012 – dois anos antes do prazo marcado para a retirada das tropas dos demais países que integram a coalizão liderada pelos EUA.

Rasmussen disse não ter "ficado surpreso" com as palavras de Hollande e afirmou que a França pretende continuar apoiando a missão internacional no Afeganistão, mas de forma diferente. Segundo ele, o plano de Hollande "coincide muito" com o da Otan de devolver gradualmente o controle do país às forças afegãs. "Tudo irá acontecer de forma coordenada, e a partir de consultas feitas por nossa aliança", disse Rasmussen. "Estou certo de que manteremos a solidariedade dentro de nossa coalizão.".

Neste domingo, Obama deve ter uma reunião com o presidente afegão, Hamid Karzai, no qual discutirão o planejamento para as eleições do país em 2014 e a possibilidade de um acordo político com o Afeganistão. Outras eleições afegãs foram marcadas por irregularidades.

O encontro acontecerá paralelo à cúpula, na qual os líderes mundiais também discutirão as eleições do Afeganistão, bem como outros aspectos cruciais para o futuro do país após a retirada, como o financiamento das forças de segurança.

O presidente americano Barack Obama convocou a cúpula de Chicago, cidade que o lançou politicamente, em plena campanha eleitoral, para tentar reafirmar seu objetivo de ser o presidente que encerrará a guerra no Afeganistão, depois de fazer o mesmo com o Iraque. Obama precisa de um compromisso de seus sócios para uma retirada ordenada, que também reafirme seu papel de líder mundial e arrecadar dinheiro para o Exército afegão.

Manifestante prepara cartazes para protesto contra reunião da Otan em Chicago, nos EUA
AP
Manifestante prepara cartazes para protesto contra reunião da Otan em Chicago, nos EUA

Na cúpula também estará presente o presidente paquistanês Asik Ali Zardari, que deve se reunir com Rasmussen para negociar o acordo que permite recomeçar a provisão por via terrestre das tropas da Otan no Afeganistão. O Paquistão vetou a circulação de comboios depois da morte de 26 soldados em novembro durante um ataque aéreo da Aliança Atlântica na fronteira.

Os líderes também tratarão de outros temas como a primeira fase de um escudo antimísseis na Europa, para protegê-la de mísseis que possam vir do Irã. Esse projeto é muito criticado pela Rússia, cujo presidente, Vladimir Putin, não estará em Chicago, tendo enviado seu primeiro-ministro Dimitri Medvedev.

Organizações pacifistas e ativistas do movimento "Ocupe Wall Street" convocaram milhares de manifestantes para sair às ruas de Chicago e ir até o centro de convenções onde ocorre a reunião. Chicago está sob forte vigilância, com barcos da Guarda Costeira patrulhando o rio que atravessa a cidade e com grande número de agentes nas ruas.

No sábado, três homens foram acusados de produzir coquetéis molotov para uma série de atentados durante a reunião. Entre os alvos dos jovens, presos na quarta-feira, estavam a sede da campanha de reeleição de Obama e a casa do prefeito da cidade, Rahm Emanuel, ex-chefe de gabinete do líder.

Com AP e AFP

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