Morre Abdelbaset al-Megrahi, único condenado por atentado de Lockerbie

Considerado culpado por bomba em avião que matou 270 em 1988, líbio foi solto em 2009 após ser diagnosticado com câncer terminal

iG São Paulo |

O líbio Abdelbaset al-Megrahi, único condenado pelo atentado de Lockerbie em 1988, morreu neste domingo aos 60 anos, informaram seus familiares. Apesar de ter recebido a prisão perpétua em 2001, Al-Megrahi serviu apenas oito anos da sentença, tendo sido libertado pela justiça da Escócia em 2009 por razões humanitárias, após ser diagnosticado com câncer terminal. Na época, médicos disseram que ele tinha apenas três meses de vida.

O atentado de Lockerbie foi um dos ataques terroristas mais mortais da história recente. Em 21 de dezembro de 1988, homens ligados ao governo da Líbia despacharam malas com explosivos no Aeroporto de Heathrow, em Londres, mas não embarcaram no voo da Pan American World Airways, cujo destino era Nova York. O avião explodiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, matando todos os 259 a bordo e mais 11 em terra, totalizando 270 vítimas.

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AP
Após ser libertado, Abdelbaset al-Megrahi é recebido como herói na Líbia (20/08/2009)

 Após ser libertado, Al-Megrahi passou a viver em uma casa cercada por muros altos em um bairro rico de Trípoli, capital da Líbia. De acordo com familiares, ele foi internado no mês passado em estado “muito grave”. A causa da morte não foi divulgada.

A libertação de Al-Megrahi provocou revolta entre familiares das vítimas, principalmente após Al-Megrahi ser recebido como herói na Líbia, e após denúncias de que a Inglaterra fez lobby por sua libertação para preservar seus negócios com o país africano, que é rico em petróleo. O Reino Unido negou tal acusação.

A queda do líder líbio Muamar Kadafi , que foi morto em outubro do ano passado, não ajudou a acabar com alguns dos mistérios envolvendo o caso.

Os Estados Unidos, o Reino Unido e procuradores afirmaram que Al-Megrahi não agiu sozinho e o acusaram de fazer o ataque a mando do serviço de inteligência líbio. Após a queda de Kadafi, o Reino Unido pediu uma nova investigação sobre o caso, que foi descartada pelo governo interino.

Al-Megrahi sempre negou participação no atentado. “Sou inocente”, disse, em sua última entrevista, publicada por vários jornais britânicos em dezembro. “Estou morrendo e peço para que me deixem em paz com a minha família.”

Em 1999 o governo de Kadafi entregou Al-Megrahi e outro suspeito para autoridades escocesas, após repetidas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU). Quatro anos depois, em 2003, Kadafi reconheceu responsabilidade – mas não culpa – pelo atentado e pagou uma compensação de cerca de US$ 2,7 bilhões para as famílias das vítimas.

Kadafi também prometeu acabar com todas as armas de destruição em massa do país e colaborar com a luta contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos. Com isso, conseguiu o restabelecimento de relações diplomáticas com o Ocidente e assinou negócios lucrativos.

Em 2001, uma corte escocesa montada em uma base militar nas Holanda, um território neutro, considerou Al-Megrahi culpado de plantar os explosivos no avião mas absolveu o outro suspeito, Lamen Khalifa Fhimah, de todas as acusações. Al-Megrahi deixa a mulher, Aisha, e cinco filhos.

AP
Policial passa em frente aos destroços do avião da Pan Am que caiu em Lockerbie, na Escócia (21/12/1988)

Com AP e AFP

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