Dia de Jerusalém é festejado com fervor por 30 mil israelenses

Evento em comemoração a "reunificação" da cidade acabou com a prisão de dez judeus e quinze palestinos

EFE |

Uma marcha para celebrar o 45º aniversário da "reunificação" da cidade de Jerusalém reuniu neste domingo cerca de 30 mil israelenses, em sua maioria jovens da direita nacionalista, que passaram, inclusive, por bairros palestinos ocupados. O evento acabou com a prisão de dez judeus e quinze palestinos.

A manifestação começou na parte judia da cidade e cruzou o bairro muçulmano da Cidade Antiga até o Muro das Lamentações. Em um ambiente de provocação, poder e fervor nacionalista, alguns participantes passaram pela parte islâmica entoando cânticos direitistas, batendo portas de casas e de comércios e agitando bandeiras, observados por um grupo de palestinos.

No entanto, os lemas dos manifestantes, em geral, respeitaram o compromisso de não entoar cânticos abertamente racistas. A manifestação celebrava o 45º aniversário da "reunificação" da cidade, que entre 1948 e 1967 esteve dividida entre uma parte ocidental em mãos israelenses e outra oriental em mãos jordanianas.

Reuters
Israelenses comemoram o aniversário de 45 anos da tomada da cidade de Jerusalém

O primeiro-ministro israelense Benjamim Netanyahu aproveitou a data para anunciar a construção na cidade de lugares bíblicos que explicarão a conexão dos judeus à Terra da Bíblia. Netanyahu, que esta noite visitará o centro de estudos Harav Krugliak, sede do sionismo religioso, disse que se a Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar mais sagrado do Islã, passasse para outras mãos seria difícil "evitar uma guerra religiosa".

Enquanto isso, o chefe negociador da palestina, Saeb Erekat, interpretou a passagem da manifestação pelo território palestino como uma prova de que a paz não faz parte da agenda do Governo israelense. "Este comportamento reflete a mentalidade de um colonizador mais que a de um suposto parceiro para a paz. Sem Jerusalém Oriental, não haverá Estado palestino", ressaltou em comunicado.

Neste domingo, foi registrada a prisão de dez judeus, por cantar slogans racistas, e cinco palestinos, por lançar objetos aos participantes, segundo a Polícia israelense. Também houve outros incidentes, como a tentativa de um palestino de apunhalar a um soldado na Cisjordânia. O atacante ficou ferido gravemente ao ser rendido pelos militares.

Segundo os dados divulgados pelo escritório central de estatísticas divulgados por causa desta data, Jerusalém tem 801 mil habitantes, 62% judeus, 35% muçulmanos e 2% cristãos.

Nos bairros palestinos, 78% dos habitantes vive abaixo da linha de pobreza, resposta do "abandono" das autoridades israelenses, segundo um relatório divulgado neste domingo pela Associação de Direitos Civis em Israel.

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