Dissidente chinês embarca para os Estados Unidos

Chen Guangcheng deixa Pequim com a mulher e os filhos, quase 1 mês após ter fugido de prisão domiciliar e se abrigado em embaixada

iG São Paulo |

AP
Chen Guangcheng, em cadeira de rodas, é visto no Aeroporto Internacional de Pequim, onde embarcou em voo para os EUA
O dissidente chinês Chen Guangcheng , pivô de uma crise diplomática entre os Estados Unidos e a China, partiu neste sábado da capital chinesa, Pequim, rumo a Nova York. No fim do mês passado, o ativista fugiu da prisão domiciliar e se abrigou por seis dias na embaixada americana, sendo levado, depois, para um hospital .

A partida de Chen para os EUA foi discreta. O ativista, um advogado autodidata e cego, foi levado do hospital diretamente para o aeroporto, junto com a mulher e seus dois filhos. O voo da United Airlines chegará ao aeroporto de Newark, em Nova Jersey.

“Todo tipo de pensamento está passado pela minha cabeça”, disse Chen no aeroporto, citando como preocupação a possibilidade de o governo chinês punir os familiares que deixa no país. Sem saber se poderá voltar para a China, ele pediu a compreensão de outros ativistas por ter optado pela viagem aos EUA. “Estou pedindo uma licença e espero que entendam.”

A partida de Chen marca a conclusão de uma crise diplomática que durou quase um mês. Um dos ativistas mais famosos da China, Chen foi colocado sob prisão domiciliar em 2010 após passar mais de quatro anos preso sob a acusação de prejudicar o tráfego e danificar propriedades.

Ele havia acusado as autoridades locais em Linyi, na Província de Shandong, de forçar milhares de mulheres a fazer abortos ou serem esterilizadas como parte da política oficial de filho único.

Amigos de Chen afirmaram que a fuga no fim do mês de abril foi planejada durante meses e teve a ajuda de uma rede de colegas e ativistas. Ele escalou o muro que as autoridades haviam construído em volta de sua casa e foi levado de carro por centenas de quilômetros até Pequim, onde teria passado por vários locais até se abrigar na embaixada americana.

Chen ficou seis dias na representação diplomática, sendo levado ao hospital depois de autoridades americanas e chinesas anunciarem um acordo que o permitiria ficar na China em segurança.

Porém, já no hospital, o ativista disse que sua família tinha sido ameaçada e que temia por sua segurança. Em entrevista por telefone à Associated Press, o ativista afirmou que uma autoridade americana havia lhe dito que o governo chinês ameaçara “bater em sua mulher até a morte”.

Com isso, novas negociações levaram a um novo acordo para enviar Chen aos EUA, onde estudará Direito a convite da Universidade de Nova York. A porta-voz do Departamento de Estado Americano, Victoria Nuland, disse que o governo espera “com ansiedade” pela chegada de Chen. “Também expressamos nossa apreciação pela forma como foi possível resolver essa questão”, completou. O ministério chinês não fez comentários.

Em comunicado divulgado neste sábado, o líder da ONG ChinaAid, Bob Fu, que vive no Texas, se mostrou satisfeito com a solução para o caso. "A ChinaAid e a família de Chen estão profundamente agradecidos pela ajuda incansável da comunidade internacional, incluindo os esforços da Embaixada dos Estados Unidos e do Congresso americano".

Reuters
Imagem divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos em Pequim mostra o ativista Chen Guangcheng falando ao teledone no local (02/05)

Com EFE, AP e BBC

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