Quadro com destaque para genitais de líder sul-africano causa polêmica

Gabinete de Jacob Zuma exige retirada de obra de exposição crítica ao partido governista Congresso Nacional Africano

EFE |

Um quadro do artista sul-africano Brett Murray que retrata o presidente do país, Jacob Zuma, com um tapa-sexo que acentua seus genitais, levou o partido governamental a exigir a retirada da obra, enquanto a galeria que a exibe insiste na liberdade de expressão e no direito à criação artística. Para alguns observadores, a obra expõe os genitais de Zuma.

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O quadro, intitulado "The Spear" ("A Lança"), faz parte da exposição "Salvas ao Ladrão II" e está exibido na Galeria Goodman de Johanesburgo desde 10 de maio, disseram nesta sexta-feira os meios de comunicação sul-africanos.

A obra mostra o presidente Zuma em uma simulação de um popular quadro do líder comunista soviético Vladimir Lenin, mas com a diferença de que, no retrato do chefe de Estado sul-africano, seu órgão sexual está praticamente visível.

A presidência da África do Sul se mostrou revoltada com a pintura "grotesca" de Murray e desaprovou o artista. "O presidente da África do Sul defenderá sempre os direitos de nossa Constituição, incluindo a liberdade artística e de expressão, mas, no exercício desses direitos, os cidadãos devem entender que eles não são absolutos", ressaltou o gabinete de Zuma em comunicado.

"Além de chefe de Estado, o presidente Zuma é um cidadão e tem direito a conservar sua dignidade. Nenhum ser humano merece ser denegrido dessa maneira", disse a presidência.

Da mesma forma, o partido governante, o Congresso Nacional Africano (CNA), anunciou em comunicado que deu início às ações legais para impedir a exibição da obra e exigir a destruição de todo o material gráfico que a reproduza. "O CNA está extremamente descontente com a maneira indecente e de mau gosto que Brett Murray e a Galeria Goodman estão mostrando o presidente Zuma", afirmou o partido em nota oficial.

A exposição utiliza referências da arte comunista para mostrar a corrupção política e ideológica do CNA, um movimento de libertação inspirado no socialismo que teve um papel fundamental na luta contra o regime racista do apartheid, imposto pela minoria branca sul-africana.

"O retrato grosseiro e a utilização do logotipo do CNA é um abuso da liberdade artística e de expressão e uma violação de nossa Constituição, além de ser difamatório", acrescentou o partido governamental, liderado anteriormente pelo ex-presidente Nelson Mandela .

O retrato pode ser visto no site do jornal sul-africano Citypress, apesar de os advogados do CNA reivindicarem sua retirada ao meio de comunicação. "A reivindicação carece de base jurídica", indicou o jornal em comunicado divulgado em seu site.

A Galeria Goodman, onde está exibida a obra de Murray, também afirmou que não retirará o quadro e qualificou as intenções do CNA de "censura". Lara Koseff, porta-voz da galeria, disse nesta sexta que sempre defendeu seus artistas, inclusive durante o "apartheid".

"Quando inauguramos a exposição me lembrei do artista chinês Ai Weiwei , que foi perseguido por retratar negativamente seu governo", explicou Koseff para o jornal sul-africano Times. "Pensei que éramos afortunados por estar em uma situação diferente, por poder ter esses diálogos artísticos. No entanto, parece que alguém quer mudar essas coisas", acrescentou Lara.

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