Diretor-geral da AIEA viajará ao Irã para debater programa nuclear

Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que com negociações país persa ganha tempo para enganar comunidade internacional

iG São Paulo |

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, viajará ao Irã para se reunir na segunda-feira com o chefe para negociações nucleares do Irã, Saeed Jalili, e esclarecer questões pendentes sobre o polêmico programa nuclear iraniano.

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Amano fará uma visita de um dia a Teerã, acompanhado do diretor adjunto para Assuntos Políticos da AIEA, o argentino Rafael Grossi, e o inspetor-chefe de Desarmamento, o belga Herman Nackaerts, e se reunirá com outros altos líderes iranianos.

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Yukiya Amano, diretor-geral da AIEA, se reunirá com autoridades iranianas (4/5)
Segundo porta-voz da AIEA, devido à viagem será adiada a negociação que estava prevista para segunda-feira em Viena, que seguia dois dias de conversas nesta semana na capital austríaca entre diplomatas iranianos e analistas da ONU sobre o programa nuclear da República Islâmica.

O Conselho de Segurança da ONU estipulou desde o ano 2006 quatro rodadas de sanções diplomáticas e comerciais contra o Irã para que Teerã cumpra as exigências da comunidade internacional e suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio.

A viagem acontece depois de a agência nuclear da ONU anunciar "avanços" nessa semana em suas negociações com o Irã em Viena. O embaixador iraniano na agência da ONU, Ali-Asghar Sultanieh também reconheceu "progressos para preparar as negociações e modalidades com as quais resolver os assuntos pendentes".

Acesso

Segundo Herman Nackaerts, as negociações têm como objetivo "esclarecer possíveis dimensões militares do programa nuclear iraniano". Ele indicou ainda que a intenção da AIEA é conseguir maior acesso a pessoas, materiais e locais relacionados com o polêmico programa nuclear iraniano.

Um dos lugares que os inspetores da ONU desejam visitar é o complexo militar de Parchin, nos arredores de Teerã, onde os serviços de inteligência ocidentais suspeitam que são realizados trabalhos nucleares clandestinos.

Os especialistas da AIEA investigam há quase uma década as atividades nucleares do Irã, que durante 18 anos manteve em segredo seus avanços atômicos, o que causou grande desconfiança na comunidade internacional.

O Irã assegura que não tem nada para ocultar, mas também não concede livre acesso a todos os locais que a AIEA reivindica.

A viagem ao Irã acontece em um momento-chave do conflito nuclear já que na próxima quarta-feira está prevista uma reunião em Bagdá entre o Irã e o chamado grupo 5+1 (integrado por EUA, Rússia, França, Reino Unido, China e Alemanha) na qual se esperam avanços na busca por uma solução não bélica ao conflito.

Israel

Também nesta sexta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se mostrou cético a respeito da sinceridade do Irã nas negociações com a comunidade internacional seu programa nuclear.

"Parece que eles consideram essas negociações como uma oportunidade a mais para ganhar tempo e enganar, como a Coreia do Norte fez durante anos", declarou Netanyahu após um encontro com o presidente tcheco, Vaclav Klaus, em Praga. "O objetivo das negociações deve ser muito claro: suspender toda atividade de enriquecimento de urânio dentro do Irã, tirar do páis todo o material nuclear enriquecido e desmantelar a instalação nuclear subterrânea perto de Qom", completou.

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Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visita planta que produz combustível nuclear em Isfahan, 410 km da capital Teerã (9/4/2009)
Israel se sente ameaçado pela possibilidade de o arqui-inimigo Irã obter armas nucleares, e está convencido de que o governo iraniano está procurando meios de produzir bombas atômicas em vez de apenas gerar energia - como alega a República Islâmica. Além disso, vem discutido ações militares preventivas contra o Irã caso a diplomacia venha a falhar.

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"O Irã é muito bom em jogar esse tipo de jogo de xadrez. Algumas vezes você tem de sacrificar um peão para salvar o rei", acrescentou o premiê.

Os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha têm lançado diversas sanções e negociações para tentar persuadir o Irã a conter o enriquecimento de urânio, que pode produzir combustível para reatores e isótopos médicos ou, em altos níveis de purificação, material físsil para ogivas nucleares.

*Com EFE, AFP e Reuters

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