Obama anuncia 'novo capítulo' nas relações dos EUA com Mianmar

Líder dos EUA diz recompensar reformas com nomeação do primeiro embaixador em 22 anos e diminuição da restrição aos investimentos

iG São Paulo |

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira um "novo capítulo" nas relações dos EUA com Mianmar, o ex-Estado pária também conhecido como Birmânia. Em uma declaração da Casa Branca, o líder americano disse que Washington está recompensando o progresso democrático em Mianmar com a nomeação do primeiro embaixador americano no país em 22 anos e a diminuição das restrições aos investimentos.

Livre trânsito: Líder pró-democracia Aung San Suu Kyi obtém passaporte em Mianmar

AP
A líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi (C), participa de abertura de exposição fotográfica no Instituto francês na capital, Rangun
Vitória: Líder pró-democracia toma posse no Parlamento de Mianmar

No comunicado, ele apontou para a eleição da líder opositora Aung San Suu Kyi como um importante exemplo de progresso. Apesar disso, Obama disse que os EUA continuam preocupados com o sistema político fechado do país e com as questões de diretos humanos. Assim, os EUA mantêm sanções contra indivíduos acusados de violações dos direitos humanos.

De acordo com Obama, o maior engajamento econômico dos EUA no país asiático ajudará os reformistas e acelerará o desenvolvimento. A administração nomeou o atual enviado especial para Mianmar, Derek Mitchell, como seu primeiro embaixador no país em 22 anos. Atualmente os EUA estão representados na nação asiática por um diplomata de baixa patente.

As reformas de Mianmar durante o ano passado surgiram depois de décadas de governo militar e de isolamento diplomático. Em sinal de sua reabilitação internacional, o chanceler desse país asiático, Wunna Maung Lwin, reuniu-se com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, no Departamento de Estado.

Apesar da diminuição das restrições, as companhias americanas ainda estão impedidas de fazer negócios com firmas associadas aos poderosos militares do país, disse uma autoridade graduada à Associated Press sob condição de anonimato.

A Casa Branca também está mantendo suas sanções mais duras por enquanto, com o argumento de que as reformas democráticas do país ainda estão em estado "embrionário".

"Mianmar efetuou avanços importantes, mas a abertura política é embrionária, e continuamos preocupados principalmente com os prisioneiros políticos ainda detidos, com os conflitos em andamento e com as graves violações dos direitos humanos em áreas étnicas", afirmou Obama no comunicado.

Depois da eleição da Prêmio Nobel da Paz Suu Kyi para o Parlamento em abril, Washington planejava amenizar a proibição de investimento no país, conhecido antigamente como Birmânia. Isso alimentou um intenso debate em Washington sobre como e em que velocidade os EUA deveriam diminuir as políticas que por muito tempo puniram Mianmar pelos abusos de direitos e pela supressão da democracia.

Os empresários e alguns legisladores americanos pressionam para que as sanções econômicas sejam levantadas e apontam para o recente fim das restrições da União Europeia contra o país, o que poderia deixar as corporações americanas em uma desvantagem competitiva - não apenas nos setores potencialmente lucrativos de petróleo, gás e mineração.

Grupos de direitos humanos estão preocupados que o governo Obama esteja atuando de forma muito rápida para premiar as reformas do presidente Thein Sein apesar da contínua detenção de centenas de prisioneiros políticos e da violência étnica.

Movimento gay

O primeiro evento do Orgulho Gay da história de Mianmar foi realizado nesta quinta-feira, Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia, informaram os organizadores do evento.

Cerca de 400 pessoas se reuniram em um auditório de um hotel de Rangun, na noite de quinta-feira para assistir a apresentações, ouvir discursos e música, segundo um jornalista da AFP. "Temos nos preparado para esse evento há muito tempo", disse à AFP o maquiador Min Min.

O código penal colonial, que proíbe o sexo entre pessoas do mesmo gênero, não é aplicado realmente, mas, segundo defensores dos direitos dos homossexuais, as autoridades o utilizam como meio de discriminar alguns cidadãos.

Ao contrário do que ocorre em outros países com leis mais liberais, nenhum desfile foi organizado nas ruas das quatro cidades do país que realizaram eventos autorizados pelo governo. "No passado, teria sido considerado que uma multidão era contra o governo e participava de algo comparável a um ato de protesto", explicou Aung Myo Min, do Instituto de Educação sobre os Direitos Humanos do Mianmar.

O Dia Internacional contra a Homofobia é comemorado desde 17 de maio de 1990. Naquele dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revisou sua classificação de doenças e problemas de saúde, sem considerar a homossexualidade como uma "desordem sexual".

*Com AP e AFP

    Leia tudo sobre: mianmarsuu kyieuaobama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG