Novo governo francês começa com redução de 30% dos salários do Executivo

Primeira reunião do governo inaugura período de austeridade no país, com diminuição de 10% nas verbas dos ministérios

EFE |

O novo presidente da França, François Hollande , iniciou nesta quinta-feira sua caminhada no Palácio do Eliseu com a posse dos ministros e a primeira reunião de governo, na qual foi adotada uma diminuição de 30% dos salários de todo Executivo.

Nova França: Premiê nomeia novo governo com 17 mulheres entre 34 ministros

AP
Presidente francês, François Hollande (C), posa com seu gabinete no Palácio do Eliseu, Paris
Os 17 homens e 17 mulheres do primeiro escalão do governo terão um salário bruto mensal de 9.940 euros, enquanto Hollande e o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault , ganharão 14.910 euros por mês. A foto de toda a equipe, que encerrou a reunião ministerial, marca o princípio de uma etapa de austeridade econômica no país.

Na primeira reunião do novo governo francês também ficou acertado que as verbas dos ministérios serão diminuídas em 10%, assim como o número de funcionários da pasta. E como prova da "exemplaridade" e "transparência" que Hollande quer usar como pilares de seu governo, foi assinado um código de conduta dos políticos que evita conflitos de interesses e obriga os ministros a renunciar aos cargos executivos que ocupavam antes de tomar posse.

Além disso, o código de conduta diz que os membros do gabinete devem rejeitar convites privados e presentes de valores superior a 150 euros e escolher o trem como meio de transporte prioritário para deslocamentos inferiores a três horas.

Essas medidas foram adotadas para tentar fazer com que essa seja uma presidência "normal" e diferente do mandato do ex-presidente, Nicolas Sarkozy . O novo governo começa com a necessidade de ajustar as contas públicas numa economia estagnada no primeiro trimestre, mas também com uma agenda sem descanso em nível internacional.

"O essencial é trabalharmos muito depressa a serviço dos franceses para conseguir levar o país para o caminho da justiça", disse quarta-feira Ayrault. O porta-voz do governo, Najat Vallaud-Belkacem, explicou que a ideia é reformar o país para "acabar com os privilégios e melhorar a vida dos franceses".

Três políticos serão os protagonistas dessas mudanças: os ministros da Economia Pierre Moscovic, das Relações Exteriores Laurent Fabius e do Interior Manuel Valls. "A prioridade é fazer avançar os temas mais urgentes e solucionar a crise", disse Fabius, que se disse "profundamente europeu", mas a favor de um continente diferente, que priorize a criação de emprego.

Moscovici, que assumiu o cargo das mãos de seu antecessor, François Baroin, afirmou que a crise grega e a "reorientação da construção europeia" serão seus temas prioritários. O ministro disse também que trabalhará "com todos os parceiros" do país, com a Alemanha e as instituições europeias.

Em seu primeiro discurso, Manuel Valls, nascido em Barcelona há 49 anos e naturalizado francês, lembrou que não nasceu no país e prometeu que o governo não estigmatizará a população nem fará distinções de categorias, bairros e origens.

Segundo os ministros presentes na reunião, o encontro foi emocionante e solene, e nele Hollande se comprometeu a aplicar as promessas de campanha "sem perder tempo". Prova disso é que na sexta-feira Hollande viajará para os Estados Unidos, onde se encontrará com o presidente do país, Barack Obama, e depois participará das cúpulas do G8 e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), onde formalizará a saída das tropas francesas do Afeganistão .

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