Vigia teria sido ferido antes de matar jovem negro na Flórida, diz relatório

Segundo TV ABC News, parecer médico afirma que o vigia George Zimmerman tinha lesões, nariz fraturado e ferimentos na cabeça

iG São Paulo |

A rede de TV americana ABC News revelou nesta quarta-feira que um dia após a morte de Trayvon Martin na Flórida, o vigia George Zimmerman - acusado de assassinato - visitou um médico que fez um registro escrito de que sofreu lesões, o que respaldaria seu argumento de que atirou no jovem em legítima defesa.

Flórida: Vigia que matou jovem negro é formalmente acusado

Quando o vigia foi ao médico tinha uma fratura no nariz, os olhos com hematomas e ferimentos na cabeça, indicou a rede.

AP
Morte de Trayvon Martin (E) por George Zimmerman levou a onda de protesto por direitos civis nos EUA
O relatório realizado pelo médico da família Zimmerman mostra que foram prescritos ao vigia calmantes Adderall e Temazepam. Além disso, o médico recomendou que buscasse ajuda psicológica depois de sua avaliação, revelou a TV .

Já o canal WFTV-Channel 9, da Flórida, informou na noite de terça-feira que a necropsia de Trayvon Martin mostrou ferimentos nos dedos das mãos.

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O relatório médico de Zimmerman que será apresentado pela defesa se apoiará nos argumentos do vigia voluntário, que alega que no dia 26 de fevereiro disparou em legítima defesa contra o jovem negro de 17 anos que andava desarmado, e que supostamente o atacou enquanto ele patrulhava uma região de Sanford, no centro da Flórida.

Uma lei sobre uso de armas na Flórida permite que uma pessoa atire em legítima defesa toda vez que se sentir em risco de ser gravemente ferida ou morrer.

Até o momento, o advogado de Zimmerman, Mark O'Mara, não atendeu as ligações da agência France Presse para confirmar o relatório médico, e também não divulgou um comunicado sobre o caso, criado no mês passado para arrecadar fundos para seu cliente e informar sobre o processo que desde fevereiro divide a opinião pública americana.

Zimmerman, em liberdade condicional desde o dia 23 de abril e com paradeiro desconhecido, é acusado de assassinato em segundo grau, enquanto a família de Martin e vários líderes de movimentos dos direitos civis nos Estados Unidos sustentam que o preconceito racial motivou o crime e influenciou a atuação da polícia.

Zimmerman declarou não ser culpado do assassinato e deverá comparecer no dia 8 de agosto a outra audiência. Até o momento, não foi fixada uma data para o julgamento.

Debate

O assassinato, ocorrido em 26 de fevereiro deste ano, provocou um forte debate sobre o racismo nos Estados Unidos.

Zimmerman alegou que atuou em legítima defesa quando atirou no adolescente, que estava desarmado. Perante a falta de testemunhas ou provas que mostrassem o contrário, as autoridades locais decidiram em um primeiro momento não detê-lo.

A pressão pública e os protestos da comunidade afroamericana que ocorreram por todos os EUA, com críticas a Zimmerman por atuar movido por preconceitos raciais, diminuíram quando um mês e meio depois do incidente a promotoria apresentou as acusações contra ele, levando-o à prisão.

*Com AFP

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