Irã enforca suposto espião de Israel por morte de cientista nuclear

Majid Jamali Fashi foi condenado à pena de morte em 2011 pelo assassinato de um professor de Física da Universidade de Teerã

iG São Paulo |

O Irã enforcou nesta terça-feira um homem condenado à morte por matar um cientista nuclear iraniano em 2010, informou a TV estatal. Majid Jamali Fashi foi acusado de trabalhar para a agência de espionagem de Israel, o Mossad, e de ter matado Masoud Ali Mohammadi, professor de Física da Universidade de Teerã.

Mohammadi foi morto em janeiro de 2010 na explosão de uma bomba colocada em uma moto em frente à sua casa. Oficialmente, ele não tinha relação com o polêmico programa nuclear iraniano. O Ocidente acusa o Irã de buscar armas atômicas, enquanto o governo iraniano diz que o programa tem fins pacíficos.

Leia também: Adversários aumentam operações sigilosas no Irã

AP
Majid Jamali Fashi, executado nesta terça-feira no Irã, durante julgamento no qual foi condenado à pena de morte (23/08/2011)

O Irã afirma que Israel e os Estados Unidos estão tentando interromper o programa nuclear com operações secretas . Pelo menos cinco cientistas nucleares iranianos, incluindo um gerente da instalação de Natanz, foram mortos nos últimos anos.

Teerã acusa o Mossad, a CIA (agência de inteligência americana) e o MI-6 (agência de inteligência britânica) de estarem por trás dos assassinatos. EUA e Reino Unido negaram as acusações , enquanto Israel permaneceu em silêncio.

Jamali Fashi, 24 anos, foi condenado pela morte de Mohammadi em agosto. Seu advogado recorreu da pena de morte, mas o veredicto foi confirmado pela Suprema Corte.

Durante o julgamento, ele foi acusado de cooperar com o Mossad, viajar para Israel para participar de um treinamento da agência e de receber dinheiro do governo israelense. No ano passado, a TV estatal exibiu uma suposta confissão de Fashi de que tinha sido recrutado pelo Mossad.

No mês passado, agentes iranianos de inteligência anunciaram a prisão de 15 suspeitos de integrar uma "grande rede terrorista e de sabotagem com ligações com o regime sionista (Israel)". O grupo, segundo as autoridades, planejava matar mais um cientista iraniano.

Negociações

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retomou nesta terça-feira em Viena um diálogo com o Irã, no segundo dia de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Na segunda-feira, as conversas duraram cinco horas e terminaram sem resultado.

Às 10h desta terça-feira (5h no horário de Brasília), os analistas da ONU, liderados pelo inspetor chefe de desarmamento, Herman Nackaerts, chegaram à Embaixada do Irã em Viena para uma reunião com a delegação persa, liderada pelo embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh.

Enquanto Nackaerts não quis fazer declarações à imprensa, Soltanieh assegurou que na segunda-feira houve "boas conversas”. “Tudo segue na direção correta e a atmosfera é muito construtiva", afirmou.

O principal objetivo da AIEA é obter um maior acesso a pessoas, materiais e locais relacionados ao controverso programa nuclear. "Esclarecer as possíveis dimensões militares continua sendo nossa prioridade", explicou Nackaerts.

Com AP e EFE

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