Ex-executiva de Murdoch é acusada de obstruir investigação sobre grampos

Rebekah Brooks, seu marido e outros quatro são formalmente processados por escândalo de escutas ilegais do News of the World

iG São Paulo |

A ex-editora do extinto tabloide britânico News of the World Rebekah Brooks, considerada uma das mais fiéis aliadas do magnata Rupert Murdoch , foi acusada formalmente nesta terça-feira de tentar obstruir as investigações sobre o escândalo de escutas ilegais do jornal. Além de Rebekah, seu marido, Charlie Brooks, e outros quatro indivíduos também foram processados.

Estas são as primeiras acusações criminais feitas pela polícia desde que as investigações sobre o escândalo foram retomadas, em janeiro de 2011. Antes, em 2007, duas pessoas foram presas por grampear telefones da família real.

Leia também: Cameron enviou mensagem 'com muito amor' para executiva de Murdoch

AP
A ex-chefe executiva da News International Rebekah Brooks chega à delegacia em Londres, onde foi acusada de obstrução da Justiça

Rebekah, 43 anos, pediu demissão do cargo de chefe-executiva da News International, o braço europeu da News Corporation de Murdoch, em julho do ano passado, no auge das denúncias. Ela foi detida duas vezes pela polícia britânica e está sob custódia até o fim dos inquéritos. Agora, enfrenta três acusações de conspirar para obstruir o curso da Justiça, um crime cuja pena máxima é prisão perpétua.

Alison Levitt, o principal conselheiro legal do Diretor de Processos Públicos do Reino Unido, disse que Rebekah é acusada de ter escondido materiais da polícia – incluindo computadores e outros aparelhos eletrônicos – e de remover sete caixas de documentos dos arquivos da News International.

Em comunicado, Rebekah e seu marido criticaram a decisão da Justiça de processá-los. “Deploramos essa decisão fraca e injusta”, afirmou o casal. “Responderemos a essa postura sem precedentes mais tarde, após voltarmos da delegacia.”

Os demais acusados de obstruir a Justiça são a ex-assistente pessoal Cheryl Carter, o ex-chefe de segurança da News International Mark Hanna, o ex-chofer de Rebekah Paul Edwards, e Daryl Jorsling, integrante da equipe de segurança da companhia. Levitt afirmou que uma sétima pessoa, também da segurança, não será acusada. “Tudo isso está relacionado à investigação policial sobre as práticas de escutas ilegais e corrupção de autoridades no News of the World e no The Sun”, disse.

As denúncias de que o News of the World grampeou os telefone de centenas de celebridades e cidadãos comuns levou Rupert Murdoch a fechar o tabloide e deu início a três investigações policiais, um inquérito judicial sobre a ética da imprensa britânica e mais de cem processos.

Na semana passada, Rebekah prestou depoimento ao inquérito judicial, no qual revelou laços de amizade com o primeiro-ministro britânico, David Cameron. Rebekah contou ter recebido uma mensagem de apoio de Cameron após ter pedido demissão da diretoria da News International e outras mensagens que o político assinava desejando “muito amor”.

“Geralmente ele assinava ‘DC’ (suas iniciais), mas às vezes também assinada ‘LOL’, querendo dizer ‘lots of love’ (muito amor)”, afirmou. “Até que eu expliquei a ele que 'LOL’ quer dizer ‘laugh out loud’ (rindo alto).”

Rebekah disse que Cameron é seu amigo e vizinho (os dois têm casas na região de Cotswolds, no sul da Inglaterra), e que os dois trocavam mensagens cerca de uma vez por semana. Em poucas ocasiões, porém, eles discutiram o escândalo das escutas ilegais. “(Falamos sobre isso) apenas uma ou duas vezes”, afirmou.

Com AP e EFE

    Leia tudo sobre: news of the worldrebekah brooksmurdochreino unidocamerongrampos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG