'Nós ganhamos, ele perdeu', diz sobrevivente de massacre na Noruega

Durante julgamento, jovem ferida por Breivik na Ilha de Utoya diz ter retirado uma bala de seu próprio corpo

iG São Paulo |

Jovens feridos no massacre na Ilha de Utoy a testemunharam nesta segunda-feira durante o julgamento do extremista Anders Behring Breivik , que assumiu o duplo ataque que deixou 77 mortos na Noruega em julho do ano passado. Uma das testemunhas, Frida Holm Skoglund, 20 anos, contou ter retirado uma bala do próprio corpo e enviou uma mensagem indireta a Breivik: “Nós ganhamos, ele perdeu.”

Frida pediu que o extremista fosse retirado do tribunal dizendo estar nervosa demais para testemunhar diante do homem que tentou matá-la. Relembrando os momentos de horror vividos na ilha, ela contou ter se escondido na floresta e ficado surpresa quando um amigo lhe mostrou que ela tinha uma bala na região da coxa. “Achei que era impossível, que não era uma bala real. Mas senti algo pontiagudo na minha coxa e era mesmo uma bala”, afirmou. “Então a tirei e a joguei longe. Não senti dor.”

Leia também: Em julgamento de Breivik, sobreviventes relembram horror em Utoya

AP
O extremista Anders Behring Breivik sorri durante julgamento em Oslo, na Noruega

Questionada sobre o comportamento de Breivik durante o massacre, Frida disse que ele parecia calmo, mas “agressivo no gatilho”. Como vários outros sobreviventes do ataque, a jovem nadou para se salvar.

Foi também o caso de Silja Kristianne Uteng, 21, outra testemunha ouvida nesta segunda-feira. Baleada no braço pelo extremista, Silja correu pela ilha até chegar ao lado e “nadou por sua vida”.

Quando viu Breivik se aproximar da água, pensou que dessa vez não escaparia. “Pensei que preferia morrer afogada que com um tiro”, afirmou Silja, que só percebeu que tinha sido baleada após o resgate, quando tirou o casaco.

Lars Groennestad, 20 anos, disse que Breivik o atingiu no ombro e a bala perfurou parte de seu pulmão. O jovem correu entre as árvores e se cobriu de terra para se esconder do extremista até a polícia chegar.

Leia também: Saiba como extremista executou plano de ataque na Noruega

Outra sobrevivente, Ane Kollen Evenmo, 17 anos, disse que tentava escapar em um bote com vários outros jovens quando viu Breivik se aproximando, vestindo um uniforme policial. Sem saber se tratar do extremista, ela acenou para ele, que começou a atirar.

Na semana passada, o tribunal que julga Breivik ouviu sobreviventes que não ficaram feridos no massacre de Utoya. Anteriormente foram ouvidos testemunhas do primeiro ataque cometido pelo extremista em 22 de julho de 2011: a explosão de um carro-bomba em Oslo .

O extremista assumiu a responsabilidade pelo duplo ataque, mas se declarou inocente das acusações criminais dizendo que suas vítimas tinham traído a Noruega ao abraçar a imigração.

A questão crucial do julgamento é determinar a sanidade de Breivik e se ele será encaminhado a uma prisão ou à assistência psiquiátrica compulsória pelo ataque duplo. Uma avaliação psiquiátrica o caracterizou como psicótico e "delirante" , enquanto outra o considerou competente mentalmente para ser enviado à prisão.

Com BBC

    Leia tudo sobre: breiviknoruega sob ataqueutoyaoslonoruega

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG