Após acordo, palestinos presos em Israel encerram greve de fome

Dois homens que começaram o protesto se recusam a comer até que governo israelense abandone 'detenções administrativas'

iG São Paulo |

Centenas de prisioneiros palestinos concordaram nesta segunda-feira em encerrar uma greve de fome após assinar um acordo com o governo de Israel. Autoridades israelenses concordaram em permitir visitas de familiares que vivem na Faixa de Gaza, acabar com as solitárias e limitar uma prática conhecida como “detenção administrativa”, segundo a qual um suspeito de ser militante pode passar meses e até anos na prisão sem nunca ser formalmente acusado.

Porém, os dois homens que deram início ao protesto em 27 de fevereiro, há 77 dias, disseram que não voltarão a comer até que as detenções administrativas sejam completamente eliminadas. Bilal Diab e Thaer Halahleh receberam o apoio de centenas de outros presos, que se uniram à greve de fome em 17 de abril.

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Harbiya al-Battal mostra foto de seu filho, Hasn Safadi, palestino preso em Israel que começou greve de fome em 3 de março (11/05)

Diab está em detenção administrativa desde agosto e Halahleh desde junho de 2010 - mas ele já tinha passado seis anos e meio na prisão, também sob detenção administrativa, na década passada. Israel não informou quais são as acusações contra os dois homens, que são membros da Jihad Islâmica, um grupo militante palestino.

A greve de fome iniciada pelos dois é a mais longa já feita por presos palestinos em Israel e alguns deles estão em condição grave de saúde. Familiares dos presos cobraram sua libertação. “Eles vão soltar Bilai? Acabou?”, perguntou Missadeh, mãe de Diab. “Que Deus atenda nossos pedidos por liberdade.”

De acordo com um negociador palestino, Israel concordou em permitir que os presos recebam visitas de familiares tanto da Cisjordânia quanto da Faixa de Gaza – estas últimas suspensas desde 2006, quando militantes do Hamas, que controla a região, sequestraram o soldado israelense Gilad Shalit.

A pressão pelo fim da medida aumentou após a libertação de Shalit em outubro, como parte de um acordo de troca de presos entre o Hamas e o governo de Israel.

O negociador, que não quis ser identificado, também afirmou que Israel concordou em acabar com as solitárias, permitiu que os presos façam telefonemas a parentes e busquem formação acadêmica.

A agência de segurança israelense Shin Bet afirmou que serão colocados limites nas detenções administrativas. A prática não foi totalmente abandonada, mas as detenções não poderão ser estendidas se Israel não apresentar novas informações de inteligência sobre os suspeitos a uma corte militar.

A Shin Bet disse que, em troca, os prisioneiros palestinos concordaram em “pôr fim à atividade terrorista dentro das prisões israelenses”. Ainda segundo a agência, líderes de grupos militantes fora das prisões se comprometeram a “prevenir atividades terroristas”, sem dar mais detalhes. Além disso, qualquer ato de violência por parte dos prisioneiros anulará o compromisso israelense.

Segundo o governo israelense, cerca de 1,6 mil prisioneiros, ou mais de um terço dos 4,5 mil palestinos presos em Israel, se juntaram à greve de fome. Segundo lideranças palestinas, o número de pessoas que aderiram ao protesto é maior: 2,5 mil.

Com AP

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