Irmão de vítima de massacre atira sapato contra extremista da Noruega

Julgamento de Anders Behring Breivik é brevemente suspenso após homem protestar gritando: "Seu assassino, vá para o inferno"

iG São Paulo |

O julgamento de Anders Behring Breivik , autor confessor do duplo ataque que deixou 77 mortos na Noruega no ano passado, foi interrompido brevemente nesta sexta-feira, quando o irmão de uma das vítimas atirou um sapato contra o extremista e gritou “Seu assassino, vá para o inferno” várias vezes.

De acordo com uma jornalista sueca que estava no tribunal, o extremista permaneceu calmo e “sorriu um pouco”. O sapato acertou seu advogado.

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Reuters
O extremista Anders Behring Breivik é retirado do tribunal após homem atirar sapato contra ele

Especialistas forenses testemunhavam sobre autópsias realizadas no corpos de algumas das 69 vítimas do segundo ataque que Breivik realizou em 22 de julho, um atentado a tiros na Ilha de Utoya , quando um homem na segunda fila levantou e atirou um de seus sapatos em direção à mesa onde o extremista estava, ao lado de seus advogados.

O homem, que não foi identificado, continuou gritando e chorando enquanto era retirado da sala por dois seguranças. De acordo com a jornalista Mikaela Akerman, que acompanha o julgamento, alguns espectadores aplaudiram e gritaram “Bravo!”, enquanto outros começaram a chorar.

Após uma pausa de dez minutos, o julgamento foi retomado e Breivik fez uma declaração. “Se alguém quiser jogar algo em mim, faça isso quando eu estiver entrando ou saindo (do tribunal). Obrigado”, disse o extremista, segundo relato de Mikaela.

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O chefe da polícia local, Rune Bjoersvik, disse que o incidente foi uma “reação espontânea e emocional” que não representou um “risco sério de segurança”.

Atirar sapatos para insultar alguém é uma forma de protesto em muitos países que ganhou maior notoriedade em 2008, quando um iraquiano atirou um sapato contra o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante uma entrevista coletiva em Bagdá.

Durante a semana, sobreviventes do massacre de Utoya testemunharam no julgamento de Breivik, relembrando momentos de horror.

Muitos dos sobreviventes choraram ao testemunhar, emocionando também seus familiares e parentes de vítimas do ataque que matou principalmente jovens que participavam de um encontro do Partido Trabalhista.

O sobrevivente Lars Henrik Rytter Oeberg disse que Breivik tinha “expressão de pedra” quando tentou atirar contra ele. Oeberg, que conseguiu escapar nadando, afirmou ter visto o extremista matar 14 pessoas.“Vi um menino se agachando perto de uma rocha, cobrindo a cabeça. O agressor foi até ele e atirou em sua cabeça”, relatou. “A maior parte dos meus amigos morreu.”

Na quarta-feira, o tribunal negou um pedido de Breivik para se dirigir diretamente às testemunhas.

Durante todo o julgamento o extremista expressou poucas emoções e pareceu sorrir quando uma sobrevivente afirmou que ele emitiu “sons de alegria” durante o ataque na ilha. “Tenho certeza que ouvi gritos de alegria”, disse Tonje Brenna, 24 anos, secretária-geral do Movimento da Juventude Trabalhista, a primeira sobrevivente do massacre na ilha a testemunhar no julgamento de Breivik, na quarta-feira.

O extremista assumiu a responsabilidade pelo duplo ataque, mas se declarou inocente das acusações criminais dizendo que suas vítimas tinham traído a Noruega ao abraçar a imigração.

A questão crucial do julgamento é determinar a sanidade de Breivik e se ele será encaminhado a uma prisão ou à assistência psiquiátrica compulsória pelo ataque duplo. Uma avaliação psiquiátrica o caracterizou como psicótico e "delirante" , enquanto outra o considerou competente mentalmente para ser enviado à prisão.

Com BBC e AP

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