China reforça cerco contra família de dissidente cego

Irmão e cunhada de Chen estão sob prisão domiciliar, seu sobrinho está detido e vários parentes enfrentam restrições em vila natal de ativista

AP |

Autoridades na cidade natal do dissidente Chen Guangcheng reforçaram o cerco contra membros de sua família enquanto ele espera permissão em Pequim para viajar para o exterior sob um acordo entre a China e os EUA.

Repressão: Dissidente chinês cego relata fuga e suposta agressão

Reuters
Imagem divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos em Pequim mostra o ativista Chen Guangcheng falando ao teledone no local (02/05)
Concessão: China diz que dissidente pode pedir permissão para estudar no exterior

O irmão e cunhada de Chen estão sob prisão domiciliar, seu sobrinho está detido e vários parentes enfrentam algum tipo de restrição de movimentos em sua vila na Província de Shandong, de acordo com Chen, seus advogados e um grupo de direitos humanos.

A passagem de Chen de uma prisão domiciliar abusiva em Shandong para a proteção de diplomatas dos EUA - o que levou para um acordo em que Pequim lhe permitindo mudar-se para os EUA com a companhia de sua mulher e filhos - expôs a impunidade de autoridades locais e envergonhou o governo central.

"Sinto que a retaliação de Shandong contra mim já começou", disse Chen em uma entrevista na quinta-feira de um hospital onde está sendo tratado de ferimentos contraídos durante sua dramática fuga de sua casa.

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse na quinta-feira que os EUA questionou a China sobre os casos e "expressou nossa preocupação sobre se há algum sentimento de represália".

Acredita-se que o sobrinho de Chen, Chen Kegui, tenha sido preso em retaliação a um confronto com policiais que teriam invadido sua casa depois da fuga do ativista, no final de abril.

A notificação de detenção do sobrinho supostamente diz que ele é suspeito de uma tentativa de "homicídio doloso", disse Liu Weiguo, advogado que voluntariou para defender Kegui, mas ainda tem de ver o documento. Liu disse que ao menos uma autoridade local do Partido Comunista foi ferida em 26 de abril, mas que ninguém morreu.

A polícia local de Shandong na cidade e no condado encarregado da vila de Chen disse não estar ciente da situação com a família de Chen. Autoridades de relações públicas do Partido Comunista não puderam ser ouvidas.

Chen disse que uma autoridade do governo chinês prometeu que os abusos cometidos contra ele e sua família seriam investigados, mas não está claro se uma investigação foi iniciada. O governo autoritário e frequentemente cuidadoso em não minar ou alienar autoridades locais, as quais conta para empregar suas políticas.

A polícia na cidade do ativista está procurando pela mulher do sobrinho e ameaçou deter sua mãe, disse  Chen. "Espero que esse assunto chame a atenção e que os advogados possam encontrar a família e assumir o caso", disse. "Eles não deixam os advogados entrarem na vila e interagir com a família. Em vez disso, eles estão retaliando contra minha família. É simplesmente muito ultrajante."

A rede de Defensores de Diretos Humanos Chineses disse que mais de dez parentes de Chen na vila de Dongshigu estão em alguma forma de prisão domiciliar.

"Mesmo enquanto a atenção internacional está sobre Chen, sua família teve a comunicação cortada com o exterior, e seu sobrinho está sob custódia policial", disse Wang Songlian, pesquisador no grupo. "O que ocorrerá quando não houver mais atenção para isso? É extremamente preocupante."

Advogado autodidata, Chen alcançou reconhecimento por lutar pelos deficientes físicos e combater os abortos sob a lei de filho único em sua comunidade. Mas ele irritou autoridades locais e foi condenado em 2006 pelo que seus partidários dizem serem acusações fabricadas. Depois de cumprir quatro anos de prisão, ele então enfrentou uma prisão domiciliar abusiva e ilegal.

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