Romney nega que praticou bullying contra colegas gays na adolescência

Provável candidato republicano pede desculpas por 'brincadeiras e trotes' e diz que só soube que colegas eram gays anos depois

iG São Paulo |

O provável candidato republicano para as eleições presidenciais de novembro, Mitt Romney, rejeitou nesta quinta-feira a ideia de que cometeu bullying na adolescência e que teve como motivação o fato de seus colegas serem gays, afirmando que não sabia que eles eram homossexuais.

AP
O republicano Mitt Romney pode ser o primeiro mórmon a receber nomeação de um grande partido para disputar a presidência (3/5)
O ex-governador de Massachusetts pediu desculpas a qualquer um que tenha ofendido pelo que descreveu como "trotes e brincadeiras durante o ensino médio".

Uniões homossexuais: Romney reafirma posição contrária ao casamento gay

Seus comentários em uma entrevista a uma rádio foram feitos após uma longa matéria do jornal Washington Post sobre os anos de Romney como adolescente na prestigiosa escola privada preparatória de Cranbrook, em Michigan, tê-lo descrito como um brincalhão que passava dos limites.

De acordo com o jornal, ele liderou um grupo de amigos que imobilizou o estudante John Lauber e cortou seu longo cabelo loiro enquanto ele gritava por ajuda. O Post sugeriu que Lauber foi alvo de bullying por seu “inconformismo e homossexualidade presumida”.

O jornal também informou que Romney gritou "muito bem, garota" para um outro estudante. À Fox, Romney disse que as pessoas envolvidas só revelaram que eram homossexuais anos depois. O republicano disse ter participado de muitas brincadeiras e que algumas "foram muito longe".

A equipe da campanha de Romney disse ao Post que ele não se recorda do episódio envolvendo Lauber, que morreu em 2004. Mas um dos colegas disse que foi um ataque "perverso". “Não me lembro do incidente. Certamente não acredito que meu colega era homossexual", disse Romney na entrevista à rádio. “Isso não passava por nossas cabeças nos anos 60, então não seria o caso."

Considerando-se a idade de Romney quando os episódios aconteceram, o relato provavelmente levantará questões sobre quanto da história de um candidato deve ser usada em uma eleição. Os episódios em questão ocorreram há quase 50 anos, e não há relatos recentes de bullying cometido por Romney.

A matéria também surge no meio de uma discussão nacional sobre os direitos dos gays depois da decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de declarar seu apoio ao casamento gay .

Tema eleitoral: Obama declara apoio ao casamento gay

Análise: Ao apoiar casamento gay, Obama assume risco calculado

Andrea Saul, porta-voz de Romney, disse ao Post que “qualquer um que conheça Romney sabe que ele não tem nenhum pingo de maldade em seu corpo. As história de 50 anos atrás parecem exageradas e sem embasamento, e o governador Romney não se lembra de ter participado em tais incidentes."

Questionado sobre os episódios durante a entrevista à rádio, Romney se desculpou. "No colégio, fiz alguma coisas estúpidas, e obviamente me desculpo se alguém ficou magoado ou ofendido por isso", disse, para acrescentar: “Participei de vários trotes e brincadeiras durante o ensino médio e alguns devem ter passado do limite e, por causa disso, peço desculpas."

A matéria do Post também descreve outro episódio em que Romney foi acusado de maltratar um professor quase cego em Cranbrook. Nesse caso, os estudantes se lembram de que Romney guiou o professor, conhecido carinhosamente como "o Morcego", em direção a uma porta fechada.

O artigo também cita colegas - incluindo ex-namoradas - que o descreveram como um aluno esforçado e um líder na escola.

*Com AP e New York Times

    Leia tudo sobre: romneyobamaeuaeleição nos euacasamento gaybullying

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG