Ex-porta-voz de Cameron presta depoimento sobre escutas ilegais

Andy Coulson mantinha ações da News Corporation enquanto trabalhava como chefe de imprensa do primeiro-ministro britânico

iG São Paulo |

Andy Coulson , ex-porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, depôs nesta quinta-feira como parte das investigações do Inquérito Leveson no qual ele e outros nomes são investigados sobre o escândalo de grampos telefônicos envolvendo o tabloide News of the World .

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Ex-editor do jornal, Coulson disse que mantinha ações da News Corporation , império midiático de Rupert Murdoch, que valiam 40 mil libras (R$ 126.264 mil) enquanto trabalhava como chefe de imprensa do primeiro-ministro britânico.

AP
Coulson chega para depor em inquérito sobre escândalo de escutas telefônicas ilegais em Londres
O ex-editor renunciou ao cargo de porta-voz em janeiro de 2011 em meio ao escândalo de grampos telefônicos do News of the World.

Em seu depoimento aos investigadores, ele disse não ver quaisquer conflitos de interesses em manter ações da empresa de Rupert Murdoch enquanto trabalhava para o gabinete de Cameron, mas reconheceu que “deveria ter prestado mais atenção a isso”.

“Nunca fui questionado sobre qualquer participação em sociedades ou ações e, porque eu sabia que não estava envolvido em nenhuma questão comercial, incluindo a proposta da BSkyB (British Sky Broadcasting), nunca me ocorreu que houvesse conflito de interesses”, acrescentou.

Coulson disse também não se lembrar de ter lidado com problemas com a compra da BSkyB a não ser a revelação do Daily Telegraph de que o secretário de Negócios britânico, Vince Cable, disse estar “em guerra” com Rupert Murdoch. Ele acrescentou ainda que Murdoch nunca influenciou qualquer decisão editoral ou mesmo posições políticas do News of the World.

Renúncia

Coulson renunciou como editor do News of the World em janeiro de 2007 depois de o jornalista Clive Goodman , que cobria assuntos relacionados à Família Real, ter sido preso acusado de ter tido acesso ao correio de voz de três autoridades do Palácio de Buckingham. Ele se tornou diretor de comunicação do gabinete de Cameron em maio de 2007.

Ele deixou o posto em janeiro de 2011, alegando que o escândalo sobre escutas telefônicas ilegais estava tornado muito difícil o seu trabalho.

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Coulson negou ter chegado ao posto de porta-voz de Cameron por causa de sua ligação com o News of the World. Ele disse ainda que sua experiência “não deveria ser vista como algum tipo de garantia” de apoio ao News of the World ou mesmo ao The Sun, também parte do conglomerado de Murdoch.

Rebekah Brooks

Na sexta-feira, será a vez de Rebekah Brooks , ex-chefe executiva da subsidiária News International , prestar depoimento. Ela era editora do News of the World quando correios de voz, como a da garota Milly Dowler, que foi assassinada, foram interceptados em 2002.

Tanto Rebekah quanto Coulson foram presos e soltos sob fiança como parte das investigações policiais sobre escutas telefônicas no extinto tabloide, cuja última edição circulou em 10 de julho de 2011 .

Eles também haviam sido presos como parte de uma investigação sobre pagamento de propinas a policiais, que está sendo supervisionada por uma comissão independente da polícia britânica.

*Com BBC

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