Agente duplo que frustrou ataque nos EUA é britânico

De provável origem saudita, agente fingiu ser suicida para interceptar bomba que seria usada em avião com rota para EUA

iG São Paulo |

O agente de inteligência que se fez passar por um homem-bomba enviado pelo braço da Al-Qaeda no mês passado para explodir um avião com rota para os EUA e frustrou um atentado é britânico, de provável origem saudita.

Golpe: Agente duplo fingiu ser homem-bomba e facilitou morte de terrorista no Iêmen

AP
Ibrahim Hassan al-Asiri, especialista em explosivos da Al-Qaeda da Península Arábica, cuja base é o Iêmen (foto sem data)
Segundo a emissora de TV americana NBS News, um oficial que falou em condição de anonimato disse ainda que a inteligência britânica estava envolvida nas operações de recrutamento do agente e na operação que ajudou a frustrar o ataque.

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O agente, que não teve sua identidade revelada e está a salvo na Arábia Saudita, foi aceito pela Al-Qaeda da Península Arábica também por causa de seu passaporte britânico.

Autoridades estrangeiras revelaram que o agente se infiltrou no grupo terrorista e se voluntariou para a missão suicida. 

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Em um extraordinário golpe de inteligência, o agente duplo deixou o Iêmen no mês passado, passou pelos Emirados Árabes Unidos e entregou tanto a bomba de design inovador projetada para sua missão suicida quanto informações sobre os líderes da Al-Qaeda da Península Arábica (cuja base é o Iêmen), suas localizações, métodos e planos para a CIA, a inteligência saudita e agências de inteligência aliadas.

Autoridades disseram que o agente trabalha para o serviço saudita de inteligência, que cooperou com a CIA por vários anos contra o grupo terrorista iemenita. Ele operou no Iêmen com total conhecimento da CIA, mas não sob supervisão da agência americana, disseram oficiais.

Depois de passar semanas no centro da mais perigosa afiliada da Al-Qaeda, o agente ofereceu informações críticas que permitiram à CIA realizar o ataque com avião não-tripulado que matou no domingo Fahd al-Quso , o diretor de operações externas do grupo e suspeito na explosão do destróier americano USS Cole no Iêmen em 2000.

Ele também entregou a bomba, projetada pelo principal especialista de explosivos do grupo para não ser detectada pelos sistemas de segurança de aeroportos, ao FBI, que está analisando suas propriedades em seu laboratório em Quantico, Virgínia.

A conspiração foi mantida em segredo durante semanas pela CIA e outras agências porque temiam retaliação contra o agente, que agora está em segurança na Arábia Saudita, e sua família. Na noite de terça-feira, autoridades disseram que os riscos contra o agente e seus parentes foram "mitigados", evidentemente ao transferi-los para locais seguros.

Autoridades de inteligência dos EUA ficaram irritados com a revelação da conspiração da Al-Qaeda, primeiramente revelada pela Associated Press, que manteve a história sob segredo por vários dias a pedido da CIA. Eles temiam que o vazamento desencorajaria serviços de inteligência externos de cooperar com os EUA em missões arriscadas, disse o deputado Peter T. King, presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara dos Representantes.

Oficiais de inteligência acreditam que o explosivo é o mais recente esforço do habilidoso fabricante de explosivos do grupo, Ibrahim Hassan al-Asiri. Acredita-se que Al-Asiri também é responsável pelos explosivos usados no ataque frustrado do Natal de 2009 contra um avião que sobrevoava Detroit e os colocados em cartuchos de impressão em aviões de carga em outubro de 2010.

Uma autoridade americana disse que o dispositivo foi costurado em uma roupa de baixo e teria sido muito difícil de detectar mesmo com uma revista manual cuidadosa. Diferentemente da tentativa de ataque de 2009, a bomba poderia ser detonada de duas maneiras, caso a primeira falhasse.

*Com BBC e Reuters

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