Parlamento de Israel aprova coalizão entre premiê e Kadima

Acordo alcançado na terça-feira põe Netanyahu na liderança de uma das mais amplas coalizões de governo na história israelense

iG São Paulo |

O Parlamento de Israel aprovou nesta quarta-feira, por 71 votos a 23, o acordo de um governo de união nacional alcançado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo chefe da oposição Shaul Mofaz. Esse acordo coloca Netanyahu na liderança de uma das mais amplas coalizões governamentais da história de Israel, com 94 dos 120 assentos do Parlamento.

Surpresa: Premiê de Israel forma coalizão com o Kadima, principal partido de oposição

AP
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o líder do Kadima, Shaul Mofaz, anunciam acordo em Jerusalém (8/5)
Trata-se do sétimo governo de união desde a criação do Estado de Israel, em 1948. Nos termos desse acordo, Mofaz torna-se vice-primeiro-ministro e ministro sem pasta, e participará do fórum dos principais ministros, assim como do gabinete de segurança, que conta agora com 15 membros. Mofaz, um ex-chefe do Estado-Maior e ex-ministro da Defesa, será imediatamente empossado.

Seis semanas depois de ter chegado à direção do partido centrista Kadima, Mofaz alcançou na noite de segunda para terça-feira, para a surpresa geral, a coalizão de direita de Netanyahu que, no ato, desistiu de eleições legislativas antecipadas que seriam convocadas para setembro.

Em virtude do acordo, Netanyahu e Mofaz estão convencidos de que um novo texto mais igualitário substituirá até o verão (hemisfério norte) uma lei que permite aos judeus ortodoxos ficarem isentos do serviço militar.

Membros do Kadima terão postos importantes, principalmente na comissão parlamentar de Relações Exteriores e Defesa e na de Assuntos Econômicos.

O acordo prevê também um relançamento do processo de paz com os palestinos e assegura o voto do orçamento do Estado para o próximo exercício fiscal. A legislatura será concluída normalmente em outubro de 2013, e Mofaz se comprometeu a permanecer na coalizão até a data limite.

O anúncio inesperado sobre a coalizão mostra, segundo analistas, as dificuldades de Netanyahu em seu próprio partido, o Likud (direita). Para se manter, o chefe de governo preferiu dar uma guinada para o centro a enfrentar a facção radical dos colonos, que o criticam por supostamente ter traído "os valores tradicionais do partido ao se mostrar frágil" na defesa da colonização (em relação aos assentamentos judeus em território palestino).

"Netanyahu estava submetido à pressão da ala mais à direita de seu partido, sobretudo, por causa da questão das colônias", explicou à AFP o analista da Universidade de Tel Aviv, Mark Heller. "O novo governo é uma boa solução para ele e para Mofaz, que também atravessava dificuldades", acrescentou.

Segundo o especialista, Mofaz preferiu entrar no governo "com seus 28 deputados a esperar as próximas eleições para se tornar um interlocutor de segunda categoria com entre 10 e 11 assentos".

*Com AFP

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