Ex-premiê da Ucrânia é internada e encerra greve de fome

Yulia Tymoshenko encerra protesto após governo atender exigência de ser levada ao hospital e ficar sob cuidados de médico alemão

iG São Paulo |

A ex-premiê da Ucrânia Yulia Tymoshenko encerrou sua greve de fome nesta quarta-feira, após ser transferida da prisão para um hospital, no qual está sob cuidados de um médico alemão. Yulia começou a greve de fome há duas semanas, em protesto contra supostos maus-tratos sofridos na prisão, uma denúncia que aumentou a pressão para que o governo do país lhe oferecesse tratamento médico adequado.

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AP
Partidário segura pôster com foto da ex-premiê ucraniana Yulia Tymoshenko em frente ao hospital onde ela está internada em Kharkiv

Na terça-feira, Yulia afirmou, por meio de seu advogado, que acabaria com a greve de fome se fosse internada na Ucrânia e tratada pelo médico alemão Lutz Harms. O governo do país aceitou as condições e a transferiu durante a manhã. Harms, que é neurologista, disse que o tratamento da ex-premiê deve durar pelo menos oito semanas. "Ela está muito fraca e precisaremos esperar vários dias até que a situação fique estável", afirmou.

De acordo com o advogado de Yulia, Sergei Vlasenko, o médico alemão foi uma escolha de sua cliente. “Infelizamente, os médicos ucranianos se encontram sob pressões políticas”, justificou.

Segundo o advogado, Harms examinou a ex-premiê na segunda-feira e alertou para “consequências graves” se ela não iniciasse o tratamento imediatamente.

Yulia foi presa em agosto de 2011 sob acusações de abuso de poder e condenada a sete anos de prisão em outubro.

Para o Ocidente, a condenação de Yulia tem motivação política, já que ela é rival do presidente Viktor Yanukovych, que a derrotou na disputa pela presidência em fevereiro de 2010, retaliando a derrota na Revolução Laranja de 2004.

Em abril, a imprensa ucraniana publicou fotos de hematomas sofridos pela líder da oposição, supostamente pelas mãos de agentes penitenciários, que teriam dado um "soco forte no estômago" da política.

Por sofrer de hérnia de disco, Yulia não pôde assistir ao começo do segundo julgamento no qual é réu por suposto desvio de dinheiro e evasão de impostos. Segundo as autoridades, a líder da oposição pode ser condenada a 12 anos de prisão se for declarada culpada pelos dois crimes.

Em protesto contra a prisão da ex-premiê, líderes cancelaram sua participação em uma cúpula de países da Europa Central e Oriental, que teve de ser adiada . A crise também ameaça a Eurocopa 2012 de futebol, que começa em 9 de junho, depois de a União Europeia (UE) ter anunciado a intenção de boicotar o torneio .

AP
Em imagem divulgada por partidários, Yulia Tymoshenko mostra marcas de supostos abusos na prisão (25/04)

Com AP

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