Cresce pressão para que Obama esclareça posição sobre casamento gay

Em entrevista marcada às pressas, presidente deve falar da medida apoiada por seu vice e rejeitada em votação na Carolina do Norte

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrenta crescente pressão para esclarecer sua posição sobre o casamento homossexual, conforme o tema ganha espaço nas eleições presidências de novembro. No domingo, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, se declarou a favor da medida, enquanto nesta terça-feira eleitores da Carolina do Norte aprovaram uma medida constitucional que proíbe o casamento gay no Estado.

Numa aparente sinal da urgência em se posicionar, Obama marcou às pressas uma entrevista ao programa "Good Morning America", da rede ABC News, para esta quarta-feira. De acordo com o jornal The New York Times, a entrevista foi marcada na tarde de terça-feira e deve abordar o assunto.

Leia também: Carolina do Norte aprova emenda que proíbe casamento homossexual

AP
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa durante jantar em Washington (08/05)

A seis meses da votação, e com outros referendos sobre o tema agendados em outros Estados, críticos acusam Obama de não se posicionar claramente para tentar conseguir o apoio de eleitores favoráveis e contra o casamento gay. Em 2008, ainda como o candidato democrata à presidência, Obama disse que apoiava a união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas não o casamento. No entanto, no final de 2010 Obama comentou que sua postura sobre o tema " estava evoluindo ".

No domingo, Biden afirmou estar “completamente confortável” em relação ao casamento gay. Depois, o secretário de Educação, Arne Duncan, também se posicionou a favor, tornando-se a terceira autoridade do governo Obama a tomar tal atitude – antes de Biden, o secretário de Habitação, Shaun Donovan, já tinha feito um comentário similar. Desde então, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, desviou de uma série de perguntas de jornalistas sobre a opinião de Obama.

A proibição do casamento gay na Carolina do Norte, aprovada por 58% dos votos contra 42% contra, deu novo fôlego ao debate. Após a votação, o porta-voz da campanha de Obama, Cameron French, disse que o presidente ficou “desapontado” com a decisão e taxou a proibição de "divisiva e discriminatória".

Seus assessores também buscam lembram que o presidente derrubou a regra do " Não pergunte, não conte " (Don’t ask, don’t tell), que requeria que militares gays servindo nas Forças Armadas mantivessem o silêncio sobre suas preferências sexuais.

Conservadores

No dividido cenário político americano, agradar os dois lados em temas sociais tem se tornado cada vez mais difícil. Mesmo dentro do Partido Republicano, tradicionalmente mais conservador, as últimas eleições têm visto a substituição de moderados do partido por figuras mais linha-dura.

A mais recente "vítima" da virada para a direita no Partido Republicano foi a derrota do senador moderado Richard Lugar, de Indiana, que perdeu a cadeira para seu colega de partido Richard Mourdock na terça-feira. Mourdock se vangloria de "falar diretamente" para o movimento Tea Party, ultraconservador. Já Lugar estava no seu sexto mandato como senador e era considerado um moderado do partido (embora, em termos sociais, o senador tivesse votado tanto contra o casamento gay quanto contra o fim da lei "Não pergunte, não conte").

Em fevereiro, outra senadora republicana de longa data, Olympia Snowe, anunciou que não concorreria a outro mandato por causa da grande polarização no Congresso americano.

Moderados também deixaram a carreira legislativa na Dakota do Norte e na Virgínia, e os aspirantes conservadores ao Senado querem que a história se repita em pelo menos mais dois Estados (Missouri e Montana).

Diferenças nos Estados

As divergências entre moderados e conservadores fazem com que o quadro dos direitos homossexuais varie entre os diferentes Estados americanos. Atualmente, o casamento gay é permitido em nove Estados, sendo que sete se situam no Nordeste do país.

Em outros dez é permitida a união civil ou as chamadas “parcerias domésticas” entre pessoas do mesmo sexo. No sudeste americano, nenhum Estado permite qualquer um desses cenários. No meio-oeste, apenas três permitem um dos dois sistemas.

Comentando a derrota no referendo da Carolina do Norte, a organização Human Rights Campaign, favorável ao casamento gay, disse que o resultado foi "um revés temporário para o nosso movimento", mas isso não desfaz o "progresso tremendo e o crescente apoio (à causa) em todo o país".

Segundo a ONG, em 2004, emendas contra o casamento gay costumavam contar com uma base de apoio que ultrapassava 70% dos eleitores. Quatro anos depois, esse apoio já havia caído para a casa dos 50%.

"O apoio a emendas proibindo casais comprometidos, do mesmo sexo, de se casar tem diminuído nos últimos anos, enquanto o apoio para a igualdade no casamento continua a aumentar em termos nacionais."

Com BBC

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