Agente duplo fingiu ser homem-bomba e facilitou morte de terrorista no Iêmen

Saudita fingiu ser suicida para interceptar bomba que seria usada em avião com rota para EUA e deu informações para ação contra Quso, morto no domingo

iG São Paulo |

AP
Ibrahim Hassan al-Asiri, especialista em explosivos da Al-Qaeda da Península Arábica, cuja base é o Iêmen (foto sem data)
O homem-bomba enviado pelo braço da Al-Qaeda no mês passado para explodir um avião com rota para os EUA era na verdade um agente de inteligência da Arábia Saudita que se infiltrou no grupo terrorista e se voluntariou para a missão suicida, disseram autoridades estrangeiras e dos EUA.

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Em um extraordinário golpe de inteligência, o agente duplo deixou o Iêmen no mês passado, passou pelos Emirados Árabes Unidos, e entregou tanto a bomba de design inovador projetada para sua missão suicida quanto informações sobre os líderes da Al-Qaeda da Península Arábica (cuja base é o Iêmen), suas localizações, métodos e planos para a CIA, a inteligência saudita e agências de inteligência aliadas.

Autoridades disseram que o agente, cuja identidade não revelarão, trabalha para o serviço saudita de inteligência, que cooperou com a CIA por vários anos contra o grupo terrorista iemenita. Ele operou no Iêmen com total conhecimento da CIA, mas não sob supervisão da agência americana, disseram oficiais.

Depois de passar semanas no centro da mais perigosa afiliada da Al-Qaeda, o agente ofereceu informações críticas que permitiram à CIA realizar o ataque com avião não-tripulado que matou no domingo Fahd al-Quso , o diretor de operações externas do grupo e suspeito na explosão do destróier americano USS Cole no Iêmen em 2000.

Ele também entregou a bomba, projetada pelo principal especialista de explosivos do grupo para não ser detectada pelos sistemas de segurança de aeroportos, ao FBI, que está analisando suas propriedades em seu laboratório em Quantico, Virgínia.

A conspiração foi mantida em segredo durante semanas pela CIA e outras agências porque temiam retaliação contra o agente, que agora está em segurança na Arábia Saudita, e sua família. Na noite de terça-feira, autoridades disseram que os riscos contra o agente e seus parentes foram "mitigados", evidentemente ao transferi-los para locais seguros.

Autoridades de inteligência dos EUA ficaram irritados com a revelação da conspiração da Al-Qaeda, primeiramente revelada pela Associated Press, que manteve a história sob segredo por vários dias a pedido da CIA. Eles temiam que o vazamento desencorajaria serviços de inteligência externos de cooperar com os EUA em missões arriscadas, disse o deputado Peter T. King, presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara dos Representantes.

Oficiais de inteligência acreditam que o explosivo é o mais recente esforço do habilidoso fabricante de explosivos do grupo, Ibrahim Hassan al-Asiri. Acredita-se que Al-Asiri também é responsável pelos explosivos usados no ataque frustrado do Natal de 2009 contra um avião que sobrevoava Detroit e os colocados em cartuchos de impressão em aviões de carga em outubro de 2010.

Uma autoridade americana disse que o dispositivo foi costurado em uma roupa de baixo e teria sido muito difícil de detectar mesmo com uma revista manual cuidadosa. Diferentemente da tentativa de ataque de 2009, a bomba poderia ser detonada de duas maneiras, caso a primeira falhasse.

*Com New York Times

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