Protesto pela prisão de Yulia Tymoshenko impede reunião de chefes de Estado; ex-premiê diz estar disposta a suspender greve de fome

O governo da Ucrânia adiou nesta terça-feira uma cúpula regional após grande parte dos líderes de países da Europa Central e Oriental boicotar o encontro em protesto contra a prisão da ex-premiê Yulia Tymoshenko. A cúpula, que seria realizada em 11 e 12 de maio na cidade ucraniana de Yalta, não tem data para ocorrer.

De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Aleksandr Dikusarov, o governo considerou “oportuno” adiar a cúpula por causa do “cancelamento da participação de vários líderes”, incluindo os presidentes da Alemanha, República Checa, Eslovênia, Áustria e Itália.

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Manifestantes acampam no centro de Kiev, na Ucrânia, em protesto contra a prisão da ex-premiê Yulia Tymoshenko
AP
Manifestantes acampam no centro de Kiev, na Ucrânia, em protesto contra a prisão da ex-premiê Yulia Tymoshenko

O governo ucraniano também voltou a negar as denúncias de que Yulia tenha sofrido maus-tratos na prisão. "Uma coisa podemos afirmar com segurança: não existem fatos que confirmem os maus-tratos ou o uso da força contra Yulia Tymoshenko", assinalou o primeiro-ministro ucraniano, Nikolai Azárov.

O premiê aconselhou os dirigentes europeus a apurar todas as informações antes de tomar qualquer decisão política. "Sua reação, motivos e comentários são compreensíveis. Mas qualquer informação, especialmente em relação a um político proeminente, deve ser profundamente comprovada por diversas vias antes de qualquer medida ser tomada", acrescentou.

Presa desde agosto de 2011 sob acusações de abuso de poder e condenada a sete anos de prisão em outubro, a ex-premiê iniciou dia 20 de abril uma greve de fome para protestar contra a violência que afirma ter sofrido na prisão.

Nesta terça-feira, porém, o advogado de Yulia, o também deputado Sergei Vlasenko, disse que a líder opositora está disposta a acabar com a greve de fome e ser internada na Ucrânia se for tratada pelo médico alemão Lutz Harms.

"Infelizmente, os médicos ucranianos se encontram sob pressões políticas. Por isso se veem obrigados a dizer, apesar seu profissionalismo, que ela está sã e não necessita tratamento", disse.

Para o Ocidente, a condenação de Yulia tem motivação política, já que ela é rival do presidente Viktor Yanukovych, que a derrotou na disputa pela presidência em fevereiro de 2010, retaliando a derrota na Revolução Laranja de 2004.

Em abril, a imprensa ucraniana publicou fotos de hematomas sofridos pela líder da oposição, supostamente pelas mãos de agentes penitenciários, que teriam dado um "soco forte no estômago" da política.

Por sofrer de hérnia de disco, Yulia não pôde assistir ao começo do segundo julgamento no qual é réu por suposto desvio de dinheiro e evasão de impostos. Segundo as autoridades, a líder da oposição pode ser condenada a 12 anos de prisão se for declarada culpada pelos dois crimes.

A crise também ameaça a Eurocopa 2012 de futebol, que começa em 9 de junho, depois de a União Europeia (UE) ter anunciado a intenção de boicotar o torneio .

Com AP e AFP

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