Premiê de Israel forma coalizão com o Kadima, principal partido de oposição

Surpreendente acordo dá ampla maioria ao governo no Parlamento e pode fortalecer Netanyahu em discussão sobre ataque ao Irã

EFE |

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou um novo governo de coalizão nesta quinta-feira, formando uma ampla aliança com o principal partido de oposição que pode lhe dar mais força para definir estratégias de negociação com os palestinos e tomar uma decisão sobre um ataque contra o Irã .

Em um anúncio surpreendente, Netanyahu suspendeu o plano de realizar eleições parlamentares antecipadas e conseguiu um acordo entre o seu partido, o Likud, e o rival, Kadima. Agora, o premiê lidera uma coalizão que tem 94 das 120 cadeiras do Parlamento – uma das mais amplas maiorias da história de Israel. Autoridades disseram que o líder do Kadima, Shaul Mofaz, será nomeado vice-premiê e que integrantes do partido ficarão à frente de vários comitês parlamentares.

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AP
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o líder do Kadima, Shaul Mofaz, anunciam acordo em Jerusalém

Netanyahu e Mofaz apareceram juntos em uma entrevista coletiva e disseram que a aliança trará estabilidade para a política israelense. Eles prometeram cooperar sobre a questão iraniana e expressaram a esperança de retomar as negociações de paz com os palestinos.

Com o novo acordo, a coalizão que governará Israel até as próximas eleições, previstas para outubro de 2013, contará com Likud (direita), Kadima (centro-direita), Yisrael Beiteinu (ultranacionalista), Shas (ultraortodoxos sefarditas) e outros partidos menores religiosos e de extrema direita, assim como o Atzmaut, formação criada por Ehud Barak ao abandonar o trabalhismo.

A coalizão atual de Netanyahu, sem o Kadima, se manteve estável desde a chegada ao poder, em 2009. No entanto, começou a dar sinais de divisões nas últimas semanas por causa principalmente de duas decisões judiciais: a que ordenou a demolição de dois assentamentos na Cisjordânia e a que contestou a lei que exime os judeus ultraortodoxos do serviço militar obrigatório a todos os cidadãos.

Sem conseguir resolver as diferenças, na segunda-feira Netanyahu defendeu a convocação de eleições em setembro, mais de um ano antes do programado. Mas durante um acordo negociado durante a madrugada que chocou a nação, ele preferiu unir forças com o Kadima, a maior força do Parlamento, com 28 cadeiras.

“Estava pronto para as eleições”, disse Netanyahu. “Mas quando percebi que um governo amplo poderia ser criado, percebi também que a estabilidade podia ser restaurada. Por isso decidi formar um amplo governo de união nacional.”

Netanyahu disse que a nova coalizão estará centrada em quatro áreas: encerrar os privilégios dados aos ultraortodoxos, reformar o sistema político, proteger a economia e promover conversas de paz “responsáveis” com os palestinos.

As negociações estão praticamente paradas há mais de três anos. Os palestinos exigem como condição para o diálogo que os israelenses congelem os assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, áreas que consideram parte de seu território.

Nesta terça-feira, Netanyahu não disse se consideraria um congelar os assentamentos, preferindo repetir seu apelo para que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, volte às negociações sem pré-condições. “Espero que o presidente Abbas aproveite esta oportunidade”, afirmou.

Durante a entrevista, Mofaz disse que vai apresentar “novas ideias” a Netanyahu. No passado, o líder do Kadima sugeriu a busca por um acordo provisório com os palestinos sobre questões relativas à segurança e à fronteira, enquanto um acordo final continua sendo negociado.

Por meio de seu porta-voz, Abbas pediu que a nova coalizão "aproveite a oportunidade" trazida pela mudança para conseguir um acordo de paz. Ele reiterou a exigência do fim dos assentamentos em territórios palestinos e fez um apelo para que o governo israelense seja "de paz" e "não de guerra" porque esta é "a única via possível para enfrentar os grandes perigos que a região do Oriente Médio encara".

O porta-voz do governo palestino, Ghassan al Khatib, diminuiu a importância da entrada do Kadima no governo. "O que vemos agora é só a expansão dos assentamentos. Israel não quer entrar em nenhum processo de paz. Por isso, não levaremos a sério nenhuma declaração de Netanyahu ou de Mofaz", disse.

Netanyahu também prometeu conversar de maneira “séria e responsável” com Mofaz sobre o programa nuclear iraniano. Assim como os países do Ocidente, Israel acusa o Irã de estar tentando desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega.

O premiê por diversas vezes sugeriu que Israel estaria pronto para atacar instalações nucleares iranianas no caso de se sentir ameaçado. Mofaz, um ex-chefe militar que já foi ministro da Defesa, já se posicionou contra uma ofensiva militar, mas tem um histórico de mudar de posição.

O ministro israelense do Meio Ambiente, Gilad Erdan, disse que o acordo vai possibilitar que o governo conquiste apoio para uma possível ação militar contra o programa nuclear iraniano.

"Uma eleição não iria parar o programa nuclear do Irã. Quando uma decisão for tomada de atacar ou não, é melhor ter um front político amplo, que una o público", disse ele à rádio Israel.

Com AP e Reuters

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