Hollande promete novo rumo para a França após vitória

Presidente eleito diz que rediscutirá pacote sobre dívida da UE, afirmando que 'austeridade não pode ser mais a única opção'

iG São Paulo |

O presidente eleito da França, François Hollande, começará a formar um novo governo, depois de dizer a partidários que sua vitória deu esperança para o fim da austeridade. Hollande prometeu retrabalhar um acordo sobre a dívida dos países para incluir medidas em favor do crescimento econômico no pacto de rigor fiscal estabelecido por 25 dos 27 países da União Europeia.

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O presidente eleito da França, François Hollande, acena da sacada da sede do Partido Socialista em Paris
"A Europa está nos observando, e a austeridade não pode ser mais a única opção", disse. Logo após sua posse, em 15 de maio, Hollande se reunirá em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel, maior defensora da austeridade orçamentária na zona do euro.

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O líder socialista conquistou menos de 52% dos votos no segundo turno eleitoral de domingo, enquanto o centro-direitista Nicolas Sarkozy , que concorria à reeleição, ficou com pouco mais de 48% e se tornou o primeiro presidente francês desde 1981 a não conquistar um segundo mandato.

Derrotado, Sarkozy pediu nesta segunda-feira "unidade" aos líderes de seu partido, antes das eleições legislativas de 10 e 17 de junho, e confirmou sua retirada da vida política. Segundo um dos membros do partido, presente em reunião realizada nesta segunda-feira, o presidente reiterou que não buscará um novo cargo político. Além disso, também não exercerá função em seu partido, a conservadora União por um Movimento Popular (UMP), informou a mesma fonte.

A vitória de Hollande abre um novo ciclo para a esquerda europeia e encoraja aqueles que ansiavam por mais crescimento diante da austeridade imposta por Merkel. Sua vitória não foi uma surpresa e já há um movimento nos círculos políticos da UE para incorporar seu impulso para o crescimento no programa de austeridade que a zona do euro tem seguido nos últimos dois anos, até agora sem muito sucesso.

Atualmente muitos não negam a evidência de que o rigor fiscal não basta para tirar o continente da crise, e até Merkel anunciou que prepara uma agenda de crescimento para ser aprovada na cúpula europeia de junho.

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, disse no sábado que a Europa precisa de um equilíbrio entre reduzir sua dívida com medidas para estimular o crescimento, já que a austeridade ameaça arrastar o bloco para sua segunda recessão em três anos.

De qualquer forma, Hollande deverá enfrentar várias quedas de braço contra Merkel, para negociar, entre outros, seus planos de criar eurobônus (o que Merkel rejeitou repetidamente) ou reforçar o papel do Banco Central Europeu.

E, embora a chanceler alemã tenha dito que receberá Hollande "com os braços abertos", voltou a insistir que o pacto fiscal assinado em Bruxelas no início de março "não pode" assumir novas mudanças. "O pacto fiscal não é negociável (...) não é possível renegociá-lo todo depois de cada eleição", caso contrário, "a Europa não funcionaria", repetiu.

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Em Paris, franceses passam por banca de jornal com a capa da revista L'Express sobre a eleição de Hollande
O resultado eleitoral na França e na Grécia, cujas eleições parlamentares de domingo não garantiram maioria absoluta a nenhum dos partidos e abriu caminho para legendas contrárias à austeridade , é "o pior de todos os resultados possíveis", disse o economista sênior da ING Carsten Brzeski.

O fraco desempenho dos dois principais partidos da Grécia - o conservador Nova Democracia e o socialista Pasok, sendo que ambos haviam apoiado o programa nacional de resgate da UE/FMI, surpreendeu alguns analistas políticos e pode forçar uma reavaliação fundamental de como a Europa está enfrentando sua crise.

"A incerteza tem sido um impulsionador desta crise desde o início, e o que emergiu da votação grega, em particular, só sublinhou essa incerteza", disse Janis Emmanouilidis, analista sênior do Centro de Política Europeia, em Bruxelas.

*Com Reuters, EFE e AFP

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