Em Nova Délhi, secretária de Estado indica que ajuda da Índia para pressionar Irã é condição para isentar país de sanções financeiras

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, intensificou nesta segunda-feira a pressão sobre a aliada Índia para que reduza ainda mais a importação de petróleo iraniano, sinalizando que isso seria uma condição para isentar Nova Délhi contra sanções financeiras.

Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton (E), reúne-se com o premiê indiano, Manmohan Singh, em Nova Délhi
AP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton (E), reúne-se com o premiê indiano, Manmohan Singh, em Nova Délhi
O Irã é o segundo maior fornecedor de energia para a Índia. Publicamente, o governo local rejeita as sanções ocidentais, mas reservadamente tem pressionado suas refinarias a reduzir suas importações do Irã entre 15% e 20%.

A questão causa irritação nas relações indo-americanas. Nova Délhi não quer passar a impressão de se curvar demais à pressão dos EUA, e não quer depender demais do petróleo saudita.

Em visita à cidade indiana de Kolkata (ex-Calcutá), Hillary disse que os EUA desejam endurecer as sanções econômicas ao Irã para obrigar o país a retomar as negociações sobre o seu programa nuclear. O Ocidente suspeita que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, algo que a República Islâmica nega.

Pressão: Há petróleo suficiente no mundo para sanções contra o Irã avançarem, diz Obama

"Achamos que a Índia, como um país que entende a importância de tentar usar a diplomacia para tentar resolver essas ameaças difíceis, certamente trabalha para reduzir suas aquisições de petróleo iraniano", afirmou. "Saudamos os passos dados até agora. Esperamos que façam ainda mais."

Hillary, que horas depois se reuniria em Délhi com o primeiro-ministro Manmohan Singh, disse que a Arábia Saudita, o Iraque e outras nações petrolíferas estão elevando sua oferta para compensar a eventual perda do fornecimento iraniano.

"Se não houvesse possibilidade de a Índia ir ao mercado e atender a suas necessidades, entenderíamos. Mas acreditamos que há um fornecimento adequado e há formas de a Índia continuar atendendo às suas exigências energéticas."

Ela disse que os EUA decidirão daqui "a cerca de dois meses" sobre isentar ou não a Índia de sanções americanas contra países que importam petróleo do Irã. Em março, Washington concedeu essas isenções ao Japão e a dez países da União Europeia, que haviam reduzido suas importações de petróleo do Irã.

Uma autoridade indiana familiarizada com o processo havia anteriormente manifestado a expectativa de que Hillary fosse anunciar a isenção durante a sua visita de três dias.

Mas um funcionário americano disse no domingo que Carlos Pascual, enviado especial dos EUA que negocia com países importadores do petróleo iraniano, deve visitar a Índia em meados de maio para discutir a questão.

Líder da Al-Qaeda

Na Índia, a secretária de Estado também afirmou nesta segunda-feira que o governo dos EUA acredita que Ayman al-Zawahiri , que sucedeu a Osama bin Laden após a morte do líder da Al-Qaeda há um ano, encontra-se no Paquistão.

Obama: Morte de Bin Laden foi dia mais importante de minha presidência

"Queremos inutilizar a Al-Qaeda. Acreditamos que Zawahiri esteja no Paquistão", afirmou Hillary. Bin Laden foi morto em um esconderijo na cidade paquistanesa de Abbottabad.

Em resposta às declarações da chefe da diplomacia americana, a ministra das Relações Exteriores do Paquistão, "Hina" Rabbani Khar, declarou que seu governo não dispõe de "informação sobre a presença do líder da Al-Qaeda no Paquistão".

"Se alguém possui alguma informação sobre esse assunto deveria compartilhar com o Paquistão", acrescentou.

Zawahiri passou a liderar a Al-Qaeda após a morte de Bin Laden em uma operação do Exército americano . A morte de Bin Laden aumentou a tensão entre EUA e Paquistão, que se envolveram em uma espiral de acusações recíprocas.

O Paquistão reprovou o fato de os EUA terem realizado uma operação de maneira unilateral, enquanto Washington especula que o líder da Al-Qaeda tenha tido algum tipo de cumplicidade com o aparelho de segurança paquistanês.

*Com Reuters e EFE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.