Eleição de Hollande pode acelerar retirada francesa do Afeganistão

Otan diz esperar 'comprometimento' da França com calendário, embora presidente eleito tenha prometido retirada até fim de 2012

iG São Paulo |

A vitória do socialista François Hollande nas eleições presidenciais da França pode acelerar a retirada das tropas francesas na missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. Durante a campanha, Hollande prometeu que os soldados voltariam para casa até o fim de 2012 – um ano antes que o previsto -, mas nesta segunda-feira a Otan disse esperar que a França “continue comprometida” com a missão.

De acordo com a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, Paris tem um acordo de longo prazo com Cabul, o que incluiu treinamento contínuo das tropas afegãs até 2013. “A França tem uma contribuição muito importante em nossa missão no Afeganistão. O governo francês esteve comprometido com o trabalho desde o começo e continua comprometido”, afirmou, garantindo que Hollande deixou claro que consultará os aliados antes de tomar qualquer decisão.

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AP
O presidente eleito da França, François Hollande, acena da sacada da sede do Partido Socialista em Paris

O acordo firmado entre o atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, já representou uma antecipação do prazo para retirada de tropas, que aconteceria em 2014, como previsto pela Otan. A mudança foi uma resposta a vários ataques contra soldados franceses.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, tem uma reunião com Hollande marcada para esta segunda-feira. Os líderes dos países que integram a organização participarão de um encontro em Chicago, nos EUA, a partir do dia 20, no qual discutirão a transição gradual da segurança para as forças do Afeganistão. Durante a campanha, Hollande afirmou que neste encontro anunciaria formalmente seus planos de acelerar a retirada francesa.

A França é o quinto país com maior número de soldados no Afeganistão: 3,4 mil, que passarão para 2,6 mil até o fim do ano caso o cronograma atual seja mantido.

Uma autoridade da Otan ouvida pelo jornal The New York Times disse estar certo de que Hollande irá rever sua posição. “Há promessas eleitorais e realidades pós-eleitorais”, afirmou o oficial, que não quis ser identificado.

Em comunicado, o Ministério da Defesa do Afeganistão disse que as forças do país estão “bem preparadas para assumir as responsabilidades da segurança” no caso de uma retirada antecipada dos franceses.

Não oficialmente, porém, autoridades afegãs disseram considerar a retirada antecipada problemática e arriscada. As tropas francesas são responsáveis pela província de Kapaisa, a duas horas da capital, uma área dividida entre diferentes grupos étnicos e difícil de ser controlada.

Em meados de abril, o general Emam Nazar, que comanda a 3ª Brigada do Exército afegão, estimou que existam 800 insurgentes espalhados por Kapisa, incluindo mujahedines estrangeiros, "paquistaneses e árabes". Os combates são frequentes.

"Do ponto de vista militar, não é prático retirar as tropas até o final de 2012", afirmou um funcionário doMministério de Defesa do Afeganistão. Para ele, esta decisão francesa é mais uma "promessa eleitoral do que uma decisão prática".

O ministro das Relações Exteriores de Sarkozy, Alain Juppé, também duvidou da viabilidade promessa de Hollande. "O novo presidente da República pensa que pode realizar esta retirada até o final de 2012”, comentou. “Veremos se ele irá conseguir um acordo com os nossos parceiros durante a reunião de Chicago.”

Com AP e AFP

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