Dissidente Chen espera que China o libere em breve para ir aos EUA

Na 6ª, chancelaria disse que ativista poderia solicitar autorização para estudar no exterior, mas não indicou se governo cooperará no trâmite

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O ativista chinês Chen Guangcheng disse nesta segunda-feira que espera ser autorizado a viajar com a família para os Estados Unidos, mas que ainda não sabe quanto tempo isso vai levar.

Concessão: China diz que dissidente pode pedir permissão para estudar no exterior

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Imagem divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos em Pequim mostra o ativista Chen Guangcheng falando ao teledone no local (02/05)
Falando rapidamente à Reuters por telefone, Chen disse que continua internado em um hospital de Pequim, por causa de exames que apontaram uma suspeita de problema intestinal como enterite ou uma inflamação crônica decorrente de uma aparente infecção. Alguns simpatizantes manifestaram preocupação de que ele esteja com câncer.

"Não posso me deslocar muito, mas estou me sentindo melhor", disse ele, em tom mais tranquilo do que na semana passada, quando foi o pivô de uma crise diplomática entre EUA e China .

Chen, de 40 anos e que é cego, passou seis dias abrigado na Embaixada dos EUA em Pequim depois de fugir da prisão domiciliar numa aldeia do sudeste do país, na qual passou 19 meses confinado.

Inicialmente, ele dizia que desejava permanecer na China para estudar Direito, e um acordo entre Washington e Pequim levou à liberação de Chen , que foi então internado em um hospital por causa de uma suspeita de fratura no pé. Horas depois, no entanto, ele mudou de ideia, dizendo-se ameaçado , e passou a solicitar autorização para se radicar nos EUA, onde também tem convite para estudar.

Medo: Ativista chinês diz que deixou embaixada dos EUA após ameaças à sua família

A chancelaria chinesa disse na sexta-feira que Chen poderia solicitar autorização para estudar no exterior , como qualquer cidadão chinês. Não ficou claro se o governo cooperará nesse trâmite. Chen disse nesta segunda-feira que as autoridades não têm motivos para atrapalhar a partida dele, da mulher e dos dois filhos.

"Ainda não sei quando vou embora, mas não deve demorar muito. O governo prometeu abertamente respeitar meus direitos como cidadão, e espero que eles cumpram essa promessa. Se tentarem frustrar meus planos, estarão dando um tapa na minha cara, e não acho que farão isso."

O ativista provoca uma situação politicamente delicada para os dois países envolvidos. Nos EUA, a crise coincide com a campanha para a eleição presidencial , e na China ocorre num ano de transição interna na cúpula do Partido Comunista.

O vice-presidente americano, Joe Biden, disse no domingo que os EUA estão dispostos a conceder visto para Chen "imediatamente" para que ele possa aceitar a bolsa oferecida pela Universidade de Nova York. "Acho que o futuro dele está na América", disse Biden ao canal NBC.

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