Atiradores disparam em presidente de empresa nuclear italiana

Homens dispararam na perna de presidente-executivo da Ansaldo Nucleare, em prática similar à das Brigadas Vermelhas nos anos 70 e 80

Reuters |

AFP
Foto sem data mostra Roberto Adinolfi, engenheiro nuclear de 53 anos que foi ferido na perna em um ataque a tiros em Gênova
Homens armados não identificados em uma moto atiraram na perna do presidente-executivo de uma empresa italiana de engenharia nuclear nesta segunda-feira, informou a polícia, em um incidente que lembrou a violência politicamente motivada que assolou o país nos anos 1970 e 1980.

Roberto Adinolfi, presidente-executivo da Ansaldo Nucleare - controlada pelo conglomerado de defesa italiano Finmeccanica - foi baleado fora de sua casa, em Gênova, no norte da Itália, disseram a polícia e fontes judiciais à Reuters.

Dois homens usando capacetes, em uma moto Yamaha preta, dispararam três tiros, fraturando o joelho direito de Adinolfi. Ele não está em estado grave, disseram as fontes.

Disparar contra as pernas das pessoas era uma prática comum das Brigadas Vermelhas, um grupo guerrilheiro de esquerda que realizou uma campanha de assassinatos e sequestros que visava a desestabilizar a Itália nos anos 1970 e 1980, conhecidos como os "anos de chumbo".

Uma fonte de investigação observou que um dos primeiros ataques por parte das Brigadas Vermelhas na década de 1970 tinha como alvo os gestores da mesma empresa. "Pode vir a ser um gesto simbólico", afirmou.

O promotor-chefe de Gênova, Michele Di Lecce, disse  que não podia descartar que o tiroteio foi um ato de "terrorismo". "Mas também consideramos outras possibilidades. Ninguém assumiu a responsabilidade", acrescentou.

Medidas de austeridade do governo do primeiro-ministro Mario Monti para controlar a enorme dívida pública da Itália causaram ressentimento, embora os protestos tenham sido geralmente pacíficos e não houve sinais reais de violência política organizada.

Contudo, uma série de suicídios, principalmente entre os empresários que sofrem problemas financeiros, enfatizou o custo humano da crise. Na semana passada, um homem de 54 anos fez um refém nos escritórios da agência tributária Equitalia em um ato de desespero, mas o incidente terminou sem violência.

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