Dilma diz que terá 'posições comuns' com novo líder francês

Presidenta parabeniza Hollande e elogia propostas para vencer a crise da Europa com políticas que favoreçam o crescimento

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff parabenizou neste domingo o presidente eleito da França , François Hollande, dizendo que os dois poderão "compartilhar posições comuns nos foros internacionais". Hollande venceu as eleições com 51,7% dos votos contra 48,3% do atual líder, Nicolas Sarkozy.

Em sua mensagem, Dilma disse ter acompanhado com "grande interesse" as propostas de Hollande para "vencer a crise que enfrenta a Europa com responsabilidade macroeconômica, mas, sobretudo, com políticas que favoreçam o crescimento, o emprego, a inclusão e a justiça social."

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AP
O presidente eleito da França, François Hollande, acena da sacada da sede do Partido Socialista em Paris

"Estou segura que poderemos compartilhar posições comuns nos foros internacionais – dentre eles o G20 – que permitam inverter as políticas recessivas, ainda hoje predominantes, e que, no passado, infelicitaram o Brasil e a maioria dos países da América Latina", afirmou Dilma.

A presidenta disse que França e Brasil estão unidos por "ambiciosos projetos bilaterais" e garantiu estar segura de que essa cooperação terá continuidade nos próximos anos. A presidenta também convidou Hollande a participar da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho na capital fluminense.

Analistas acreditam que a eleição de Hollande pode aproximar as relações da França com o Brasil, sem que haja, no entanto, mudanças em relação a temas polêmicos, como a agricultura.

Para o cientista político Stéphane Montclaire, da Universidade Sorbonne, Hollande deverá buscar apoio de grandes emergentes, como o Brasil, para tentar convencer a Alemanha a revisar o pacto fiscal europeu e incluir medidas de estímulo ao crescimento econômico.

"As críticas de Dilma Roussef e de Hollande sobre as políticas de austeridade na Europa para superar a crise são muito semelhantes", disse Montclaire, em entrevista à BBC Brasil. A presidenta declarou várias vezes que "simples medidas de austeridade e consolidação fiscal não permitirão superar a crise na zona do euro" e que também são necessárias políticas de expansão dos investimentos no continente.

Esse é o mesmo argumento de Hollande. Em seu primeiro discurso no domingo, o presidente eleito afirmou que "a austeridade não pode mais ser uma fatalidade na Europa". "Hollande vai precisar demonstrar que as propostas da França também têm apoio fora da União Europeia por parte de países com peso no cenário econômico internacional", disse Montclaire. "O Brasil também precisa de uma Europa forte para exportar seus produtos. Poderá haver nessa questão um ponto de convergência entre os dois países."

Segundo Montclaire, a aproximação maior entre o Brasil e a França será por razões estratégicas e irá facilitar relações que já são "muito boas". O presidente Nicolas Sarkozy, que ficará no cargo até 15 de maio, havia firmado com o Brasil, no final de 2008, uma parceria estratégica que prevê cooperações em várias áreas, sendo a mais importante a da Defesa.

Com BBC e EFE

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