Vítimas de Utoya são lembradas individualmente no julgamento de Breivik

Assassinatos em ilha foram analisados com leitura do relatório legista, explicação dos disparos e apresentação da vítima por parentes ou amigos

EFE |

O julgamento contra o extremista Anders Behring Breivik pelos atentados de 22 de julho do ano passado na Noruega, nos quais morreram 77 pessoas, começou a lembrar de forma individual nesta sexta-feira os mortos no massacre da ilha de Utoya, com palavras de lembrança de familiares e amigos.

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AP
Anders Behring Breivik (D) e o advogado de defesa Geir Lippestad (E) diante de manequim para explicar disparos
"Birgitte foi arrancada de tudo e de todos de forma violenta e brutal. O anjinho de papai terá um lugar no meu coração para sempre", leu no julgamento Mette Yvonne Larsen, a representante legal dos familiares da jovem de 15 anos que estava no acampamento das Juventudes Trabalhistas em Utoya.

Primeira semana do julgamento
1º dia: Extremista da Noruega alega legítima defesa para justificar massacre
2º dia: 'Eu faria tudo novamente', diz extremista norueguês autor de massacre
3º dia: Extremista da Noruega pede pena de morte ou absolvição
4º dia: Breivik queria decapitar ex-premiê e matar todos em Utoya
5º dia: 'Normalmente sou uma pessoa muito boa', diz extremista da Noruega

Os nove crimes que foram analisados nesta sexta-feira seguiram o mesmo procedimento: leitura do relatório legista, explicação dos disparos sofridos, usando um manequim; e depois uma apresentação do falecido feita por parentes ou amigos.

"Sentimos muito a sua falta Laila, mas nunca desistiremos, seguiremos lutando por seus ideais. Te amamos. Uma saudação de mamãe e papai", disse Thomas Benestad, representante dos familiares da jovem de 17 anos, segundo o diário norueguês VG.

Ao longo da audiência, que não foi transmitida por ordem do tribunal, vários parentes das vítimas abandonaram a sala sob lágrimas, generalizadas também entre o público e fiscais. Enquanto isso, Breivik permanecia impassível, segundo sites noruegueses.

Infográfico: Saiba como extremista executou plano de ataque na Noruega

A inclusão das palavras de lembrança no julgamento foi um pedido de parentes e pessoas próximas das vítimas. Na última quinta-feira, a medida já havia sido utilizada com os oito mortos no atentado à bomba contra o complexo governamental de Oslo. "É importante que as vítimas sejam algo mais que número em uma autópsia", declarou à televisão pública NRK Yvonne Larsen.

Segunda semana do julgamento
6º dia: Extremista norueguês diz que trama 'racista' tenta mostrá-lo como louco
7º dia: Ataque extremista deixou Oslo como 'zona de guerra', diz testemunha
8º dia: Extremista diz que relatório que o declarou insano é 'invenção'
9º dia: Com canção infantil, multidão protesta contra extremista na Noruega
10º dia: Vítimas de Breivik relatam como ataque de Oslo mudou suas vidas

A maioria dos 69 mortos em Utoya faleceu instantaneamente com uma média de três tiros, quase todos de curta distância, explicou no julgamento o médico legista do Instituto Nacional de Saúde norueguês, Torleiv Ole Rognum.

O julgamento será retomado na segunda-feira com uma audiência, que repassará as mortes de Utoya seguindo o mesmo procedimento usado nesta sexta-feira.

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