Promotoria pede 80 anos de prisão para ex-presidente da Libéria

Tribunal internacional condenou Charles Taylor por ser cúmplice de atrocidades cometidas durante o conflito civil entre 1991 e 2002

iG São Paulo |

A Promotoria do Tribunal Especial para Serra Leoa (TESL) solicitou aos juízes uma pena de 80 anos de prisão para o ex-presidente da Libéria Charles Taylor por crimes de guerra e lesa-humanidade cometidos durante a guerra civil no país africano (1991-2002).

Tribunal : Ex-presidente da Libéria é condenado por apoiar crimes de guerra em Serra Leoa

De acordo com os promotores, o pedido de sentença reflete "as contribuições únicas" de Taylor para os crimes em Serra Leoa, já que "não há aspectos" atenuantes que possam tornar a sentença mais suave.

AP
O ex-presidente da Libéria Charles Taylor durante audiência em Haia, na Holanda (26/4)
"A condenação recomendada é apropriada porque reflete o papel essencial que Taylor desempenhou nos crimes cometidos, de um alcance e gravidade extremos", segundo documento assinado por Brenda Hollis, promotora do Tribunal para Serra Leoa em Haia.

Em 26 de abril, os juízes do Tribunal para Serra Leoa declararam Taylor culpado de crimes incluídos na acusação ao estimar que, embora o ex-presidente da Libéria não tivesse uma responsabilidade de comando sobre as forças rebeldes em Serra Leoa, contribuiu para os crimes no país financiando a guerrilha em troca de diamantes.

O tribunal realizará no próximo dia 16 uma audiência na qual a defesa e a Promotoria exporão as circunstâncias atenuantes ou agravantes antes de a pena ser fixada, o que acontecerá em 30 de maio.

A corte não prevê em seu estatuto prisão perpétua, mas tampouco estipula um limite máximo de detenção. Taylor é o primeiro chefe de Estado a ser condenado por uma Corte internacional desde os julgamentos de Nuremberg, que ocorreram após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Trajetória

Em 1989, aos 41 anos, Taylor era o líder de um grupo armado e deu início à guerra civil na Libéria, encerrada após um tratado de paz em 1995. Em 1997 foi eleito presidente e seu governo durou seis anos.

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Em agosto de 2003, rebeldes tomaram a capital do país, forçando-o a ir ao exílio na Nigéria. Taylor disse que optou por se exilar para acabar com o conflito em seu país.

Após 2003, Taylor vinha sendo acusado de violar as regras de seu exílio na Nigéria ao continuar influenciando a política interna na Libéria. Meses após a posse da presidente liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf, em 2006, a Nigéria concordou em extraditar Taylor, que fugiu.

Capturado e enviado à Libéria, Charles Taylor foi levado a Serra Leoa pela ONU para aguardar julgamento. Sua prisão foi considerada um sinal de que os líderes de grupos armados africanos não gozavam mais de impunidade.

*Com AFP e EFE

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