China diz que dissidente pode pedir permissão para estudar no exterior

Governo do EUA diz que universidade americana ofereceu bolsa a Chen Guangcheng e que vistos serão providenciados rapidamente

iG São Paulo |

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou nesta sexta-feira que o dissidente Chen Guangcheng , que fugiu de prisão domiciliar e se abrigou na Embaixada dos Estados Unidos em Pequim, pode entrar com um pedido para estudar no exterior, sinalizando uma possível solução para a crise diplomática entre os governos chinês e americano motivada pela fuga do ativista. Horas depois, o governo americano afirmou que uma universidade dos EUA ofereceu uma bolsa de estudos a Chen e que as autoridades trabalharão para providenciar rapidamente os vistos necessários para que ele e sua família deixem a China.

Em comunicado, o porta-voz do ministério chinês, Liu Weimin, disse que Chen pode “fazer o pedido pelos canais normais e de acordo com a lei, como qualquer outro cidadão”. O anúncio foi feito horas depois de o ativista divulgar uma nota – ditada por telefone a um amigo – dizendo que não quer pedir asilo ao governo americano, mas ter a intenção de aceitar um convite para estudar na Universidade de Nova York e “descansar nos Estados Unidos por vários meses”.

Leia também: Dissidente chinês pede reunião com Hillary ao Congresso dos EUA

Reuters
Imagem divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos em Pequim mostra o ativista Chen Guangcheng falando ao teledone no local (02/05)

Chen ficou seis dias na representação diplomática, que deixou na quarta-feira depois de autoridades americanas e chinesas anunciarem um acordo que o permitiria ficar na China em segurança. Depois, já em um hospital, o ativista disse que sua família tinha sido ameaçada e que temia por sua segurança. Em entrevista por telefone à Associated Press na quarta-feira, o ativista afirmou que uma autoridade americana havia lhe dito que o governo chinês ameaçara “bater em sua mulher até a morte”.

Nesta quinta-feira, o Departamento de Estado confirmou que Chen mudou de ideia sobre permanecer na China e agora quer deixar o país. Em entrevista ao jornal Daily Beast por telefone, o ativista disse que tem a “fervorosa esperança” de poder embarcar para os EUA no mesmo avião da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que está na capital chinesa em visita oficial .

Nesta sexta-feira, Hillary disse que o anúncio do governo chinês de que Chen poderá pedir permissão para estudar no exterior é “encorajador”. “Progressos foram feitos para ajudá-lo a ter o futuro que deseja”, afirmou a secretária, acrescentando que autoridades americanas conseguiram se encontrar com Chen. Na quinta-feira, o ativista tinha dito que o governo chinês estava impedindo tais encontros.

Sem citar o caso de Chen especificamente, Hillary afirmou ter discutido a situação dos direitos humanos na China durante sua visita oficial. “Os Estados Unidos continuam a trazes essa questão porque a consideramos essencial para todos os países”, afirmou. “Falamos de casos e indivíduos específicos quando é necessário porque não ignoramos nossas diferenças na relação ampla que estamos construindo.”

O principal diplomata chinês, Daí Bingguo, disse que as conversas com Hillary foram sobre “vários temas”. “Não há nada que não tenha sido discutido, mas o principal tema foi como construir uma nova relação entre China e EUA, duas grandes potências”, afirmou.

Ele afirmou, também, que “questões de direitos humanos não deveriam perturbar as relações entre Estados, e não deveriam ser uma desculpa para interferir em assuntos internos de outros países".

Trajetória

Um dos ativistas mais famosos da China, Chen foi colocado sob prisão domiciliar em 2010 após passar mais de quatro anos preso sob a acusação de prejudicar o tráfego e danificar propriedades.

Ele havia acusado as autoridades locais em Linyi, na Província de Shandong, de forçar milhares de mulheres a fazer abortos ou serem esterilizadas como parte da política oficial de filho único.

Amigos de Chen afirmaram que a fuga de domingo foi planejada durante meses e teve a ajuda de uma rede de colegas e ativistas. Ele escalou o muro que as autoridades haviam construído em volta de sua casa e foi levado de carro por centenas de quilômetros até Pequim, onde teria passado por vários locais até se abrigar na embaixada.

Com AP e BBC

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