França condena cientista do Cern por envolvimento com a Al-Qaeda

Adlene Hicheur, que era pesquisador do famoso laboratório suíço, irá à prisão por contatos com suposto membro de rede terrorista

iG São Paulo |

Uma corte francesa condenou nesta sexta-feira um físico nuclear nascido na Argélia a cinco anos de prisão por envolvimento com o braço africano da rede Al-Qaeda . Adlene Hicheur, ex-pesquisador do laboratório suíço Cern, foi considerado culpado de ”associação criminal com o objetivo de planejar ataques terroristas”.

Hicheur, que está preso desde outubro de 2009, poderia ter recebido até dez anos de prisão. A defesa do físico nuclear de 35 anos afirmou que ele foi vitima dos excessos das leis francesas antiterrorismo e chamaram o veredicto de “escandaloso”. Segundo a defesa, Hicheur discutiu suas ideia sem sites jihadistas, mas nunca deu nenhum passo concreto em direção ao terror.

Infográfico: Al-Qaeda atua por meio de franquias ao redor do mundo

Reuters
Said Hicheur, pai de Adlene Hicheur, deixa tribunal em Paris após seu filho ser condenado a cinco anos de prisão

De acordo com o advogado de Hicheur, Patrick Baudouin, seu cliente ainda não decidiu se vai apelar da sentença. A defesa acredita que, se não recorrer, o cientista conseguiria deixar a prisão em pouco tempo por bom comportamento.

O caso está centrado em cerca de 35 emails entre Hicheur e um suposto integrante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico chamado Mustapha Debchi, que tentou convencê-lo a cometer um ataque suicida. Hicheyr se recusou, mas em uma mensagem sugeriu atacar soldados na região francesa de Cran-Gevrier.

Durante o julgamento, Hicheur disse que na época – 2009 - estava tomando morfina para tratar uma hérnia de disco e passando por um momento de “turbulência” em sua vida pessoal.

O procurador Guillaume Portenseigne rejeitou a justificativa de Hicheur e o caracterizou como “um homem que tinha tudo para dar certo, mas se desviou por causa do radicalismo islâmico”. Segundo o procurador, o cientista só precisava de um “encontro marcante” para passar a ações terroristas concretas.

O advogado de Hicheur disse que seu cliente foi “demonizado” e que os recentes ataques terroristas na França , não ajudaram seu caso. Em março, Mohamed Merah, um homem de origem argelina, matou três crianças judias, um rabino e três militares nas cidades de Toulouse e Montauban. Ele foi morto durante confronto com a polícia.

Com AP

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